Em auditório lotado no IMPA, meninas iniciam trajetória no MOI

Evento de abertura do ano contou com 260 pessoas e marca expansão do projeto

“Não somos mais 22 escolas, somos um único projeto”. A fala da coordenadora do programa Meninas Olímpicas do IMPA (MOI), Letícia Rangel, marcou a abertura do encontro de boas-vindas do MOI 2026, nesta quarta-feira (1º), na sede do IMPA. O evento reuniu 260 pessoas e lotou o auditório principal do instituto. Ao longo do dia, as participantes acompanharam palestras, oficinas matemáticas e atividades de integração.

“Chegar nesse auditório e olhar para vocês faz a gente ter certeza de que o sonho pode virar realidade – e não é só o meu sonho”, afirmou Letícia.

Um sonho que segue crescendo e impactando mais mulheres e meninas. Em 2026, o projeto estreia em municípios como Petrópolis e São Francisco do Itabapoana. Ao todo, o MOI terá 170 alunas, 25 graduandas e 22 professoras, uma em cada escola participante. Para o diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana, o crescimento do programa reforça a relevância do projeto.

“O MOI não para de crescer e nesta segunda-feira (1º) nos brindou com o auditório do IMPA totalmente lotado, com meninas e mulheres discutindo a presença feminina nas áreas de STEM (Science, Technology, Engineering, and Mathematics), os diversos obstáculos a essa presença e o que pessoas e instituições podem fazer para vencê-los. Imperdível!”, avaliou. Nara Bobko, gerente acadêmica do IMPA Tech, também deixou uma mensagem de incentivo e o convite para a graduação. “É um grande orgulho estar aqui, ver esse auditório cheio de meninas é muito gratificante, ver de perto o empenho de vocês. Sejam bem-vindas. Estão todas convidadas para conhecer o IMPA Tech, e, quem sabe, atuar conosco. Aproveitam essa oportunidade aqui, é única. De certa forma, eu invejo positivamente, gostaria que o projeto já existisse quando tinha a idade de vocês. Sejam mulheres de sucesso!”

O evento começou com uma roda de conversa que reuniu Carolina Araujo, pesquisadora do IMPA; Yasmin de Barros, graduanda do IMPA Tech; e Ana Luísa Rodrigues, estudante de Engenharia Química da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Elas contaram experiências de suas trajetórias acadêmicas, refletiram sobre os desafios impostos pelas barreiras de gênero e como os superaram,  além de oferecerem conselhos e motivação para as estudantes.

“No meu primeiro período, as matérias eram complicadíssimas: cálculo, física, desenho técnico. Chorava todo dia. Foi um caos, tive complexo de inferioridade, me senti muito sozinha”, contou Ana Luísa. O ponto de virada veio com o prêmio Elisa Frota Pessoa, conquistado por seu artigo sobre a mulher negra na engenharia, fruto de seis meses de pesquisa junto a sua professora. “Foi muito mais do que um prêmio. Serviu para reforçar que eu pertenço a esse lugar, que posso fazer diferença e ser uma mulher em exatas”, afirmou. A experiência contribuiu para elevar sua autoestima, e mostrou que, mesmo com dificuldades acadêmicas iniciais, é possível construir um caminho de protagonismo, aprendizado e inspiração para outras jovens.

Já a estudante do IMPA Tech Yasmim de Barros destacou o papel do incentivo familiar em sua formação. “Sempre fui muito curiosa, e aprender era como um superpoder. Mas foi o apoio da minha família que me fez acreditar que eu podia ir mais longe”, contou.

O interesse da estudante pela área se consolidou com a participação na OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas e Privadas), que apresentou uma nova forma de pensar a disciplina. “Era uma matemática que exigia raciocínio lógico, que fazia a gente pensar fora da caixa. Foi um desafio e foi isso que me fez escolher esse caminho”, afirmou.

Ao final, Yasmin deixou uma mensagem às participantes. “Todas vocês são capazes. A história que divido com vocês é sobre incentivo e sobre abraçar oportunidades.”

Entre as alunas do projeto, o entusiasmo com a programação foi evidente. “Gostei bastante do projeto, achei muito interessante as palestras. Sou muito interessada em matemática e gosto de conhecer coisas novas”, disse Giovana Vitória, do Colégio Estadual Francis Hime.

Já Isadora de Matos, que participou do encontro pela primeira vez, ressaltou o impacto das trocas proporcionadas pelo evento. “Gostei de ouvir as histórias das meninas, é um incentivo para seguir na área. Também gosto das atividades de raciocínio e acredito que, participando do projeto, vou melhorar meu desempenho”, afirmou.

Criado em 2019 para enfrentar os estereótipos de gênero que ainda afastam meninas das áreas de exatas, o MOI aposta em uma abordagem que combina aprendizado e engajamento. As atividades começam com a matemática apresentada de forma acessível e divertida e evoluem para o desenvolvimento de projetos nas escolas.

O encontro também reflete o crescimento recente da iniciativa. Em 2024, o programa ampliou em 50% o número de escolas participantes, com apoio do SESI, parceiro do projeto. Neste ano, a expansão continua, com a chegada de cinco novas instituições e a ampliação do alcance territorial.