Apresentamos entrevistas com os vencedores do desafio promovido pela ANPMAT. Ao todo, dez participantes que se destacaram na iniciativa compartilharão suas experiências, reflexões e trajetórias relacionadas ao ensino e à aprendizagem da matemática.
João Otávio Furtado da Silva

1.Conte um pouco sobre sua formação, trajetória acadêmica e atuação no ensino de Matemática.
Sou formado em Licenciatura em Matemática pelo Centro Universitário de Fernandópolis (UNIFEF) e possuo Mestrado Profissional em Matemática (PROFMAT), concluído na UNESP – IBILCE, campus de São José do Rio Preto. Atuo como professor no Ensino Médio e no Ensino Técnico da rede do Centro Paula Souza desde 2015, inicialmente na ETEC de Fernandópolis e, a partir de 2024, também na ETEC de Votuporanga. Ao longo dessa trajetória, tenho buscado articular o rigor matemático com propostas pedagógicas que favoreçam a compreensão conceitual, a contextualização e o engajamento dos estudantes.
2.Quais foram as principais motivações para participar do Desafio de Comunicação Científica e quais desafios ou dificuldades você encontrou ao longo do processo?
A principal motivação para participar do Desafio foi a oportunidade de integrar uma iniciativa de abrangência nacional, algo ainda pouco frequente na área da Educação Matemática. Entendo que desafios desse porte são raros e, quando surgem, devem ser aproveitados como espaços de aprendizado, visibilidade e troca de experiências. O maior desafio ao longo do processo foi sintetizar e organizar o conteúdo para o formato exigido, especialmente pela limitação de tempo do vídeo, restrito a apenas cinco minutos. O tema da criptografia, por sua natureza ampla e detalhista, envolve diversos conceitos matemáticos, históricos e aplicados, o que exigiu escolhas cuidadosas para preservar a clareza e a profundidade sem comprometer a objetividade da apresentação.
3.Como surgiu a ideia da proposta apresentada e quais objetivos pedagógicos orientaram sua elaboração?
A proposta apresentada surgiu a partir da minha dissertação de mestrado, intitulada Criptografia no Ensino de Matemática, cujo foco central é a Aritmética. A ideia foi articular conceitos matemáticos fundamentais com a evolução histórica da criptografia e suas aplicações, evidenciando como conteúdos clássicos da Matemática podem ser contextualizados de forma significativa.
4.Quais aprendizagens desse processo você considera mais significativas para o seu trabalho pedagógico e para a formação de estudantes da Educação Básica?
Do ponto de vista pedagógico, o principal objetivo foi mostrar que conceitos aritméticos, quando bem fundamentados teoricamente, podem ser adaptados a diferentes níveis de ensino, desde os anos finais do Ensino Fundamental até o Ensino Médio, favorecendo a compreensão conceitual, o raciocínio lógico e o interesse dos estudantes por temas matemáticos com aplicações concretas.
5.O que representa, para você, ser vencedor(a) deste Desafio em um evento de abrangência nacional?
Ser vencedor deste Desafio representa, para mim, o sentimento de colher os frutos do trabalho desenvolvido ao longo de 2025, resultado de um processo contínuo de estudo, dedicação e reflexão sobre a prática docente. Esse reconhecimento também simboliza a formação sólida que construí ao longo da minha trajetória acadêmica, desde a graduação até o mestrado. Além disso, vivencio esse resultado como uma forma de representar a minha cidade, a escola em que atuo e as instituições de ensino pelas quais passei, reforçando a importância da educação pública, da pesquisa e do compromisso com o ensino de Matemática de qualidade.
6.De que maneira essa experiência pode influenciar seus projetos futuros na área da Educação Matemática, seja no ensino, na pesquisa ou na formação de professores?
Viver essa experiência possibilitou compartilhar minhas práticas e reflexões e, ao mesmo tempo, conhecer professores extremamente comprometidos com uma educação de qualidade. Estar em contato com profissionais de diferentes contextos e realidades ampliou minha visão sobre o ensino de Matemática e fortaleceu a ideia de que o trabalho colaborativo é essencial para a inovação pedagógica. Além disso, essa convivência despertou reflexões mais profundas sobre minha trajetória acadêmica, levando-me a considerar a possibilidade de um doutorado e a planejar com mais clareza as próximas etapas da minha formação, tanto no campo da pesquisa quanto na atuação docente.
7.Gostaria de complementar com mais algum aspecto relevante ou deixar uma mensagem final?
Acredito que não podemos perder as oportunidades que surgem ao longo da trajetória acadêmica e profissional. Embora o caminho nem sempre seja fácil e envolva desafios, o processo de participação, aprendizado e superação torna o resultado final extremamente compensador. Participar de iniciativas como este Desafio é uma forma de crescimento pessoal, profissional e coletivo.
Josimar José dos Santos

1.Conte um pouco sobre sua formação, trajetória acadêmica e atuação no ensino de Matemática.
Sou licenciado em matemática pela Universidade Federal de Alagoas com mestrado em Matemática na mesma instituição no programa PROFMAT ( Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional). Estou em sala de aula desde o ano de 2010. Já atuei no ensino fundamental, ensino médio e superior lecionando matemática em instituições públicas e privadas. Atualmente sou professor de matemática dos cursos técnicos de nível médio integrado do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte, campus Natal – Zona Norte.
2.Quais foram as principais motivações para participar do Desafio de Comunicação Científica e quais desafios ou dificuldades você encontrou ao longo do processo?
Contribuir para melhoria no ensino da matemática na perspectiva de desenvolver uma aprendizagem significativa. Diante disso, pensei em desenvolver algo prático e que pudesse ser utilizado em sala de aula por outros professores. A principal dificuldade foi sintetizar um conceito matemático em um tempo entre 3 e 5 minutos e que apresentasse um certo rigor/profundidade do tema abordado.
3.Como surgiu a ideia da proposta apresentada e quais objetivos pedagógicos orientaram sua elaboração?
O tema da minha dissertação de mestrado foi sobre uma proposta didática envolvendo os números irracionais. A partir de estudos identifiquei que nos livros didáticos não é dada uma importância a essa classe de números. Assim, a ideia da proposta surgiu a partir da minha dissertação de mestrado. A elaboração da proposta teve como objetivos pedagógicos a compreensão conceitual, o estímulo à participação ativa, o fortalecimento do pensamento crítico e a construção da autonomia dos estudantes no processo de aprendizagem.
4.Quais aprendizagens desse processo você considera mais significativas para o seu trabalho pedagógico e para a formação de estudantes da Educação Básica?
É possível inovar sem perder o rigor, ou seja, é possível abordar conceitos matemáticos considerados como abstratos de forma lúdica sem perder a essência conceitual por trás do objeto de estudo.
5.O que representa, para você, ser vencedor(a) deste Desafio em um evento de abrangência nacional?
Vivemos em uma sociedade onde ser professor não tem muito prestígio/valor, principalmente sendo professor de matemática. Além disso, tem o fato de a matemática ser considerada uma disciplina difícil pela maioria dos alunos. Assim, ser vencedor desse desafio representa para mim o reconhecimento de que estamos no caminho certo e que é possível desenvolver o conhecimento matemático de forma compreensível e inovadora sem perder o rigor matemático.
6.De que maneira essa experiência pode influenciar seus projetos futuros na área da Educação Matemática, seja no ensino, na pesquisa ou na formação de professores?
Acredito que essa experiência e o produto final (vídeo explicativo sobre o número pi) contribuirá bastante nas minhas aulas de matemática como ferramenta complementar ou como material a ser utilizado em sala de aula como atividade investigativa sobre a representação decimal desse número tão fascinante. Além disso, pode contribuir para que outros professores possam utilizá-la como ferramenta didática.
7.Gostaria de complementar com mais algum aspecto relevante ou deixar uma mensagem final?
Gostaria de agradecer a ANPMAT pela oportunidade de participar de um desafio matemático como esse que foi proposto. Foi uma experiência incrível. Acredito que ações como esta podem incentivar outros professores do Brasil a participar de ações formadoras como essa e, além disso, fortalecer o ensino de matemática de forma inovadora, pois acredito que tem muita gente boa e com ideias incríveis que precisam ser descobertas.
Luiz Otavio Rodrigues Mendes

1.Conte um pouco sobre sua formação, trajetória acadêmica e atuação no ensino de Matemática.
Sou professor doutor em Educação Matemática, com trajetória marcada pela docência, pesquisa e formação de professores na Educação Básica e no Ensino Superior. Atuo na universidade pública, desenvolvendo estudos sobre metodologias de ensino, resolução e proposição de problemas, e práticas inclusivas no ensino de Matemática.
2.Quais foram as principais motivações para participar do Desafio de Comunicação Científica e quais desafios ou dificuldades você encontrou ao longo do processo?
Minha principal motivação foi a possibilidade de comunicar ciência de forma acessível, sem perder o rigor teórico, aproximando a pesquisa acadêmica da escola básica. O maior desafio foi sintetizar conceitos complexos em uma linguagem clara, objetiva e atrativa para públicos diversos.
3.Como surgiu a ideia da proposta apresentada e quais objetivos pedagógicos orientaram sua elaboração?
A proposta surgiu de inquietações vivenciadas na formação de professores e no cotidiano escolar, especialmente sobre o engajamento dos estudantes com a Matemática. O objetivo central foi promover aprendizagens significativas, articulando teoria, prática e resolução de problemas contextualizados.
4.Quais aprendizagens desse processo você considera mais significativas para o seu trabalho pedagógico e para a formação de estudantes da Educação Básica?
Destaco o fortalecimento da comunicação científica como prática pedagógica e a ampliação do olhar sobre diferentes formas de ensinar e divulgar Matemática. Essas aprendizagens reforçam a importância de tornar o conhecimento matemático compreensível, crítico e socialmente relevante para os estudantes.
5.O que representa, para você, ser vencedor(a) deste Desafio em um evento de abrangência nacional?
Ser vencedor deste Desafio representa o reconhecimento de um trabalho construído com compromisso acadêmico, social e educacional. Também simboliza a valorização da Educação Matemática e da universidade pública em um espaço de alcance nacional.
6.De que maneira essa experiência pode influenciar seus projetos futuros na área da Educação Matemática, seja no ensino, na pesquisa ou na formação de professores?
Essa experiência reforça minha intenção de investir em projetos que articulem ensino, pesquisa e extensão, especialmente na formação docente e na produção de materiais didáticos inovadores. Pretendo ampliar ações voltadas à comunicação científica e à popularização da Matemática.
7.Gostaria de complementar com mais algum aspecto relevante ou deixar uma mensagem final?
Acredito que comunicar ciência é um ato pedagógico e político, que amplia o acesso ao conhecimento e fortalece a educação. Que iniciativas como este Desafio continuem incentivando professores e pesquisadores a dialogarem com a sociedade de forma crítica e responsável.
Julio Silva de Pontes

1.Conte um pouco sobre sua formação, trajetória acadêmica e atuação no ensino de Matemática.
Professor Adjunto de Ensino de Ciências e Matemática (Colegiado de Matemática) da Universidade do Estado do Amapá, Doutor em Educação Matemática pela PUC-SP (2021), Mestre em Matemática em Rede Nacional (Profmat-2014) pelo IMPA, Especialista em Ensino de Matemática pela UFF(2011), Especialista em Altas Habilidades/Superdotação pelo Instituto Sapiens (2023), Graduado em Matemática pela Universidade do Grande Rio (2007), Cursado 5 períodos de Física (UFRJ) pelo consórcio Cederj (2008). Atuou como docente em matemática pelo estado e prefeitura do Rio de Janeiro, Colégio Flama e Colégio Naval, no atendimento educacional especializado em altas habilidades ou superdotação e na Educação de Jovens e Adultos no município de Angra dos Reis – RJ.
2.Quais foram as principais motivações para participar do Desafio de Comunicação Científica e quais desafios ou dificuldades você encontrou ao longo do processo?
Considerando o objetivo do Desafio, que é incentivar os participantes do Simpósio a planejarem abordagens inovadoras e a produzirem vídeos curtos (entre 3 e 5 minutos) sobre assuntos matemáticos presentes no currículo da Educação Básica, refleti sobre minha prática e trajetória em sala de aula. Pensei em uma atividade que já havia sido aplicada na educação de jovens e adultos, com alunos com altas habilidades ou superdotação, além de licenciandos em Matemática. Todos esses grupos apresentaram ótimos resultados, principalmente no que diz respeito à reflexão crítica gerada sobre o que foi discutido no dia a dia deles. O grande desafio foi elaborar uma situação didática em que a proposta pudesse ser discutida dentro do tempo estipulado. Durante o processo, realizei filmagens, edições e contei com a ajuda de colegas para a gravação.
3.Como surgiu a ideia da proposta apresentada e quais objetivos pedagógicos orientaram sua elaboração?
A ideia surgiu da necessidade de discutir a educação financeira nas escolas, com foco na matemática crítica, e não apenas na aplicação de fórmulas. Essa temática é pouco abordada na BNCC, e muitas vezes os professores precisam tratá-la sem terem recebido uma formação específica em educação financeira, frequentemente limitando-se a explorar apenas cálculos e fórmulas. Assim, o objetivo da proposta é apresentar aos professores uma situação didática que possibilite a exploração inicial da educação financeira, utilizando apenas uma folha de papel A4 para cada aluno.
4.Quais aprendizagens desse processo você considera mais significativas para o seu trabalho pedagógico e para a formação de estudantes da Educação Básica?
As aprendizagens mais significativas desse processo para o meu trabalho pedagógico e para a formação dos estudantes da Educação Básica envolvem o uso de apenas uma folha de papel A4 para construir um livreto em um trabalho colaborativo, além da utilização da dialética nas discussões e reflexões geradas pela situação didática. Esse processo coloca o aluno como protagonista, gerando resultados diversos e enriquecedores. Ao questionar: “Qual é o seu desejo material e imaterial? O que você quer material e imaterial? O que você precisa material e imaterial?”, buscamos uma reflexão sobre o conceito de “desejar”, relacionado à compra por impulso; “querer”, associado ao planejamento para alcançar objetivos; e “precisar”, vinculado a uma situação de emergência, quando não há outras fontes de recursos disponíveis. Nesse último caso, a reflexão sobre o uso de cartões de crédito e o número de parcelas torna-se um tema importante a ser discutido.
5.O que representa, para você, ser vencedor(a) deste Desafio em um evento de abrangência nacional?
Para mim, ser vencedor(a) deste Desafio em um evento de abrangência nacional representa o reconhecimento do meu trabalho, o fortalecimento de parcerias e, principalmente, a satisfação de saber que o que estou realizando está dando certo, especialmente considerando que o trabalho do professor é, muitas vezes, pouco reconhecido.
6.De que maneira essa experiência pode influenciar seus projetos futuros na área da Educação Matemática, seja no ensino, na pesquisa ou na formação de professores?
Na verdade, meu orientador no doutorado é da área de educação financeira e, anteriormente, já havia realizado uma formação com ele, o que me forneceu a base necessária para a criação da proposta da situação didática do desafio. Atualmente, como professor do ensino superior, estou ministrando a disciplina de educação financeira e espero contribuir para a formação dos futuros professores de Matemática, transmitindo a mesma formação que recebi de meu orientador, que foi, inclusive, o inspirador da proposta. Além disso, pretendo expandir essa temática para projetos de extensão e formação de professores, com o objetivo de disseminar a educação financeira para um número maior de pessoas e alunos.
7.Gostaria de complementar com mais algum aspecto relevante ou deixar uma mensagem final?
Gostaria de agradecer a todos os organizadores e participantes deste desafio, além de sugerir que a iniciativa seja continuada em outros eventos, com a divisão em categorias, como professores dos anos iniciais, finais, ensino médio e superior.






