Vencedores do desafio ANPMAT

Apresentamos entrevistas com os vencedores do desafio promovido pela ANPMAT. Ao todo, dez participantes que se destacaram na iniciativa compartilharão suas experiências, reflexões e trajetórias relacionadas ao ensino e à aprendizagem da matemática.

João Otávio Furtado da Silva

1.Conte um pouco sobre sua formação, trajetória acadêmica e atuação no ensino de Matemática.

Sou formado em Licenciatura em Matemática pelo Centro Universitário de Fernandópolis (UNIFEF) e possuo Mestrado Profissional em Matemática (PROFMAT), concluído na UNESP – IBILCE, campus de São José do Rio Preto. Atuo como professor no Ensino Médio e no Ensino Técnico da rede do Centro Paula Souza desde 2015, inicialmente na ETEC de Fernandópolis e, a partir de 2024, também na ETEC de Votuporanga. Ao longo dessa trajetória, tenho buscado articular o rigor matemático com propostas pedagógicas que favoreçam a compreensão conceitual, a contextualização e o engajamento dos estudantes.

2.Quais foram as principais motivações para participar do Desafio de Comunicação Científica e quais desafios ou dificuldades você encontrou ao longo do processo?

    A principal motivação para participar do Desafio foi a oportunidade de integrar uma iniciativa de abrangência nacional, algo ainda pouco frequente na área da Educação Matemática. Entendo que desafios desse porte são raros e, quando surgem, devem ser aproveitados como espaços de aprendizado, visibilidade e troca de experiências. O maior desafio ao longo do processo foi sintetizar e organizar o conteúdo para o formato exigido, especialmente pela limitação de tempo do vídeo, restrito a apenas cinco minutos. O tema da criptografia, por sua natureza ampla e detalhista, envolve diversos conceitos matemáticos, históricos e aplicados, o que exigiu escolhas cuidadosas para preservar a clareza e a profundidade sem comprometer a objetividade da apresentação.

    3.Como surgiu a ideia da proposta apresentada e quais objetivos pedagógicos orientaram sua elaboração?

      A proposta apresentada surgiu a partir da minha dissertação de mestrado, intitulada Criptografia no Ensino de Matemática, cujo foco central é a Aritmética. A ideia foi articular conceitos matemáticos fundamentais com a evolução histórica da criptografia e suas aplicações, evidenciando como conteúdos clássicos da Matemática podem ser contextualizados de forma significativa. 

      4.Quais aprendizagens desse processo você considera mais significativas para o seu trabalho pedagógico e para a formação de estudantes da Educação Básica?

        Do ponto de vista pedagógico, o principal objetivo foi mostrar que conceitos aritméticos, quando bem fundamentados teoricamente, podem ser adaptados a diferentes níveis de ensino, desde os anos finais do Ensino Fundamental até o Ensino Médio, favorecendo a compreensão conceitual, o raciocínio lógico e o interesse dos estudantes por temas matemáticos com aplicações concretas.

        5.O que representa, para você, ser vencedor(a) deste Desafio em um evento de abrangência nacional?

          Ser vencedor deste Desafio representa, para mim, o sentimento de colher os frutos do trabalho desenvolvido ao longo de 2025, resultado de um processo contínuo de estudo, dedicação e reflexão sobre a prática docente. Esse reconhecimento também simboliza a formação sólida que construí ao longo da minha trajetória acadêmica, desde a graduação até o mestrado. Além disso, vivencio esse resultado como uma forma de representar a minha cidade, a escola em que atuo e as instituições de ensino pelas quais passei, reforçando a importância da educação pública, da pesquisa e do compromisso com o ensino de Matemática de qualidade.

          6.De que maneira essa experiência pode influenciar seus projetos futuros na área da Educação Matemática, seja no ensino, na pesquisa ou na formação de professores?

            Viver essa experiência possibilitou compartilhar minhas práticas e reflexões e, ao mesmo tempo, conhecer professores extremamente comprometidos com uma educação de qualidade. Estar em contato com profissionais de diferentes contextos e realidades ampliou minha visão sobre o ensino de Matemática e fortaleceu a ideia de que o trabalho colaborativo é essencial para a inovação pedagógica. Além disso, essa convivência despertou reflexões mais profundas sobre minha trajetória acadêmica, levando-me a considerar a possibilidade de um doutorado e a planejar com mais clareza as próximas etapas da minha formação, tanto no campo da pesquisa quanto na atuação docente.

            7.Gostaria de complementar com mais algum aspecto relevante ou deixar uma mensagem final?

              Acredito que não podemos perder as oportunidades que surgem ao longo da trajetória acadêmica e profissional. Embora o caminho nem sempre seja fácil e envolva desafios, o processo de participação, aprendizado e superação torna o resultado final extremamente compensador. Participar de iniciativas como este Desafio é uma forma de crescimento pessoal, profissional e coletivo.


              Josimar José dos Santos 

              1.Conte um pouco sobre sua formação, trajetória acadêmica e atuação no ensino de Matemática.

                Sou licenciado em matemática pela Universidade Federal de Alagoas com mestrado em Matemática na mesma instituição no programa PROFMAT ( Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional). Estou em sala de aula desde o ano de 2010. Já atuei no ensino fundamental, ensino médio e superior lecionando matemática em instituições públicas e privadas. Atualmente sou professor de matemática dos cursos técnicos de nível médio integrado do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte, campus Natal – Zona Norte.  

                2.Quais foram as principais motivações para participar do Desafio de Comunicação Científica e quais desafios ou dificuldades você encontrou ao longo do processo?

                  Contribuir para melhoria no ensino da matemática na perspectiva de desenvolver uma aprendizagem significativa. Diante disso, pensei em desenvolver algo prático e que pudesse ser utilizado em sala de aula por outros professores. A principal dificuldade foi sintetizar um conceito matemático em um tempo entre 3 e 5 minutos e que apresentasse um certo rigor/profundidade do tema abordado.

                  3.Como surgiu a ideia da proposta apresentada e quais objetivos pedagógicos orientaram sua elaboração?

                    O tema da minha dissertação de mestrado foi sobre uma proposta didática envolvendo os números irracionais. A partir de estudos identifiquei que nos livros didáticos não é dada uma importância a essa classe de números. Assim, a ideia da proposta surgiu a partir da minha dissertação de mestrado. A elaboração da proposta teve como objetivos pedagógicos a compreensão conceitual, o estímulo à participação ativa, o fortalecimento do pensamento crítico e a construção da autonomia dos estudantes no processo de aprendizagem.

                    4.Quais aprendizagens desse processo você considera mais significativas para o seu trabalho pedagógico e para a formação de estudantes da Educação Básica?

                      É possível inovar sem perder o rigor, ou seja, é possível abordar conceitos matemáticos considerados como abstratos de forma lúdica sem perder a essência conceitual por trás do objeto de estudo.

                      5.O que representa, para você, ser vencedor(a) deste Desafio em um evento de abrangência nacional?

                        Vivemos em uma sociedade onde ser professor não tem muito prestígio/valor, principalmente sendo professor de matemática. Além disso, tem o fato de a matemática ser considerada uma disciplina difícil pela maioria dos alunos. Assim, ser vencedor desse desafio representa para mim o reconhecimento de que estamos no caminho certo e que é possível desenvolver o conhecimento matemático de forma compreensível e inovadora sem perder o rigor matemático. 

                        6.De que maneira essa experiência pode influenciar seus projetos futuros na área da Educação Matemática, seja no ensino, na pesquisa ou na formação de professores?

                          Acredito que essa experiência e o produto final (vídeo explicativo sobre o número pi) contribuirá bastante nas minhas aulas de matemática como ferramenta complementar ou como material a ser utilizado em sala de aula como atividade investigativa sobre a representação decimal desse número tão fascinante. Além disso, pode contribuir para que outros professores possam utilizá-la como ferramenta didática.

                          7.Gostaria de complementar com mais algum aspecto relevante ou deixar uma mensagem final?

                            Gostaria de agradecer a ANPMAT pela oportunidade de participar de um desafio matemático como esse que foi proposto. Foi uma experiência incrível. Acredito que ações como esta podem incentivar outros professores do Brasil a participar de ações formadoras como essa e, além disso, fortalecer o ensino de matemática de forma inovadora, pois acredito que tem muita gente boa e com ideias incríveis que precisam ser descobertas.


                            Luiz Otavio Rodrigues Mendes

                            1.Conte um pouco sobre sua formação, trajetória acadêmica e atuação no ensino de Matemática.

                              Sou professor doutor em Educação Matemática, com trajetória marcada pela docência, pesquisa e formação de professores na Educação Básica e no Ensino Superior. Atuo na universidade pública, desenvolvendo estudos sobre metodologias de ensino, resolução e proposição de problemas, e práticas inclusivas no ensino de Matemática.

                              2.Quais foram as principais motivações para participar do Desafio de Comunicação Científica e quais desafios ou dificuldades você encontrou ao longo do processo?

                                Minha principal motivação foi a possibilidade de comunicar ciência de forma acessível, sem perder o rigor teórico, aproximando a pesquisa acadêmica da escola básica. O maior desafio foi sintetizar conceitos complexos em uma linguagem clara, objetiva e atrativa para públicos diversos.

                                3.Como surgiu a ideia da proposta apresentada e quais objetivos pedagógicos orientaram sua elaboração?

                                  A proposta surgiu de inquietações vivenciadas na formação de professores e no cotidiano escolar, especialmente sobre o engajamento dos estudantes com a Matemática. O objetivo central foi promover aprendizagens significativas, articulando teoria, prática e resolução de problemas contextualizados.

                                  4.Quais aprendizagens desse processo você considera mais significativas para o seu trabalho pedagógico e para a formação de estudantes da Educação Básica?

                                    Destaco o fortalecimento da comunicação científica como prática pedagógica e a ampliação do olhar sobre diferentes formas de ensinar e divulgar Matemática. Essas aprendizagens reforçam a importância de tornar o conhecimento matemático compreensível, crítico e socialmente relevante para os estudantes.

                                    5.O que representa, para você, ser vencedor(a) deste Desafio em um evento de abrangência nacional?

                                      Ser vencedor deste Desafio representa o reconhecimento de um trabalho construído com compromisso acadêmico, social e educacional. Também simboliza a valorização da Educação Matemática e da universidade pública em um espaço de alcance nacional.

                                      6.De que maneira essa experiência pode influenciar seus projetos futuros na área da Educação Matemática, seja no ensino, na pesquisa ou na formação de professores?

                                        Essa experiência reforça minha intenção de investir em projetos que articulem ensino, pesquisa e extensão, especialmente na formação docente e na produção de materiais didáticos inovadores. Pretendo ampliar ações voltadas à comunicação científica e à popularização da Matemática.

                                        7.Gostaria de complementar com mais algum aspecto relevante ou deixar uma mensagem final?

                                          Acredito que comunicar ciência é um ato pedagógico e político, que amplia o acesso ao conhecimento e fortalece a educação. Que iniciativas como este Desafio continuem incentivando professores e pesquisadores a dialogarem com a sociedade de forma crítica e responsável.


                                          Julio Silva de Pontes

                                          1.Conte um pouco sobre sua formação, trajetória acadêmica e atuação no ensino de Matemática.

                                            Professor Adjunto de Ensino de Ciências e Matemática (Colegiado de Matemática) da Universidade do Estado do Amapá, Doutor em Educação Matemática pela PUC-SP (2021), Mestre em Matemática em Rede Nacional (Profmat-2014) pelo IMPA, Especialista em Ensino de Matemática pela UFF(2011), Especialista em Altas Habilidades/Superdotação pelo Instituto Sapiens (2023), Graduado em Matemática pela Universidade do Grande Rio (2007), Cursado 5 períodos de Física (UFRJ) pelo consórcio Cederj (2008). Atuou como docente em matemática pelo estado e prefeitura do Rio de Janeiro, Colégio Flama e Colégio Naval, no atendimento educacional especializado em altas habilidades ou superdotação e na Educação de Jovens e Adultos no município de Angra dos Reis – RJ.

                                            2.Quais foram as principais motivações para participar do Desafio de Comunicação Científica e quais desafios ou dificuldades você encontrou ao longo do processo?

                                              Considerando o objetivo do Desafio, que é incentivar os participantes do Simpósio a planejarem abordagens inovadoras e a produzirem vídeos curtos (entre 3 e 5 minutos) sobre assuntos matemáticos presentes no currículo da Educação Básica, refleti sobre minha prática e trajetória em sala de aula. Pensei em uma atividade que já havia sido aplicada na educação de jovens e adultos, com alunos com altas habilidades ou superdotação, além de licenciandos em Matemática. Todos esses grupos apresentaram ótimos resultados, principalmente no que diz respeito à reflexão crítica gerada sobre o que foi discutido no dia a dia deles. O grande desafio foi elaborar uma situação didática em que a proposta pudesse ser discutida dentro do tempo estipulado. Durante o processo, realizei filmagens, edições e contei com a ajuda de colegas para a gravação.

                                              3.Como surgiu a ideia da proposta apresentada e quais objetivos pedagógicos orientaram sua elaboração?

                                                A ideia surgiu da necessidade de discutir a educação financeira nas escolas, com foco na matemática crítica, e não apenas na aplicação de fórmulas. Essa temática é pouco abordada na BNCC, e muitas vezes os professores precisam tratá-la sem terem recebido uma formação específica em educação financeira, frequentemente limitando-se a explorar apenas cálculos e fórmulas. Assim, o objetivo da proposta é apresentar aos professores uma situação didática que possibilite a exploração inicial da educação financeira, utilizando apenas uma folha de papel A4 para cada aluno.

                                                4.Quais aprendizagens desse processo você considera mais significativas para o seu trabalho pedagógico e para a formação de estudantes da Educação Básica?

                                                  As aprendizagens mais significativas desse processo para o meu trabalho pedagógico e para a formação dos estudantes da Educação Básica envolvem o uso de apenas uma folha de papel A4 para construir um livreto em um trabalho colaborativo, além da utilização da dialética nas discussões e reflexões geradas pela situação didática. Esse processo coloca o aluno como protagonista, gerando resultados diversos e enriquecedores. Ao questionar: “Qual é o seu desejo material e imaterial? O que você quer material e imaterial? O que você precisa material e imaterial?”, buscamos uma reflexão sobre o conceito de “desejar”, relacionado à compra por impulso; “querer”, associado ao planejamento para alcançar objetivos; e “precisar”, vinculado a uma situação de emergência, quando não há outras fontes de recursos disponíveis. Nesse último caso, a reflexão sobre o uso de cartões de crédito e o número de parcelas torna-se um tema importante a ser discutido.

                                                  5.O que representa, para você, ser vencedor(a) deste Desafio em um evento de abrangência nacional?

                                                    Para mim, ser vencedor(a) deste Desafio em um evento de abrangência nacional representa o reconhecimento do meu trabalho, o fortalecimento de parcerias e, principalmente, a satisfação de saber que o que estou realizando está dando certo, especialmente considerando que o trabalho do professor é, muitas vezes, pouco reconhecido.

                                                    6.De que maneira essa experiência pode influenciar seus projetos futuros na área da Educação Matemática, seja no ensino, na pesquisa ou na formação de professores?

                                                      Na verdade, meu orientador no doutorado é da área de educação financeira e, anteriormente, já havia realizado uma formação com ele, o que me forneceu a base necessária para a criação da proposta da situação didática do desafio. Atualmente, como professor do ensino superior, estou ministrando a disciplina de educação financeira e espero contribuir para a formação dos futuros professores de Matemática, transmitindo a mesma formação que recebi de meu orientador, que foi, inclusive, o inspirador da proposta. Além disso, pretendo expandir essa temática para projetos de extensão e formação de professores, com o objetivo de disseminar a educação financeira para um número maior de pessoas e alunos.

                                                      7.Gostaria de complementar com mais algum aspecto relevante ou deixar uma mensagem final?

                                                        Gostaria de agradecer a todos os organizadores e participantes deste desafio, além de sugerir que a iniciativa seja continuada em outros eventos, com a divisão em categorias, como professores dos anos iniciais, finais, ensino médio e superior.

                                                        Entrevista com o professor Rubens Lopes Netto, medalhista de ouro na primeira edição da OPMbr

                                                        Rubens Lopes Netto
                                                        Anapurus-MA
                                                        Professor das redes municipal e estadual
                                                        1. Conte um pouco sobre sua formação, trajetória acadêmica e atuação no Ensino de Matemática.

                                                        No Ensino Médio cursei o Magistério, mesmo sem ter interesse em ser professor, na época foi por falta de opção. Daí me descobri professor e fui só me especializando na área e assim continuo. Sou graduado em Matemática pela Universidade Estadual do Piauí – UESPI (2006), especialista em Matemática pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC (2009), especialista em Gestão e Ensino de Tecnologias da Informação, Comunicação e Inovação pela Faculdade de Tecnologia IBTA (2010), mestre em Matemática pela Universidade Federal do Maranhão – UFMA (2017) e doutorando no Programa de Pós-Graduação em Educação Científica e Tecnológica (PPGECT) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

                                                        Ingressei na carreira de professor no ano de 2002, aos 18 anos, sem querer, por meio de um concurso para professor de 5ª a 8ª série em que minha mão me inscreveu pra fazer, do município de Anapurus, vizinho ao município de Mata Roma, onde residia na época. Eu tinha acabado de concluir o Magistério, no final de 2001. Lembro como se fosse hoje quando, ao ser informado que ela iria fazer minha inscrição, eu a pedi que fizesse para o local que tivesse mais vagas e menos concorrência, pois eu não iria estudar para esse concurso. Acabei inscrito e depois aprovado para o Grupo Escolar Vicentina V. dos Santo, no povoado Bebedouro, um dos mais distantes da sede do município, onde ainda não havia energia elétrica nem serviço de abastecimento de água. Passei três anos trabalhando lá e vive diversas experiências atuando na Educação Infantil, Ensino Fundamental e Educação de Jovens e Adultos.

                                                        Em 2003 fui aprovado em um seletivo para uma única vaga no povoado em que trabalhava, no Programa Vamos Ler, programa lançado pelo governo do Estado do Maranhão para a Educação de Jovens e Adultos e atuei no programa durante o ano. Ainda em 2003 fui aprovado no vestibular e ingressei na graduação. Em 2005 fui transferido para a Escola Nadir Monteles, na sede do município, para lecionar no Magistério, e fui aprovado no meu segundo concurso de professor de 5ª a 8ª série, desta vez para a sede do município de Mata Roma, ingressando na rede em 2006, no Colégio João Bernardo Neto. Ainda em 2005 fiz um concurso para professor do Ensino Médio da rede estadual do Maranhão, pro município de Chapadinha, pois era o local mais próximo onde havia vagas, na intenção de ficar na suplência, pois só estava com 50% da graduação concluída e era pré-requisito para investidura no cargo, o que acabou dando certo, pois fui convocado em 2008. Em 2008 saí da rede municipal de Anapurus e em 2009 passei no meu segundo concurso pra professor do Ensino Médio do Estado, dessa vez para o município de Anapurus, ingressando em 2010. Em 2008 e 2009, enquanto cursava a especialização em Matemática pela UFSC, atuei como tutor do curso de graduação em Matemática ofertado também pela UFSC. Ainda em 2009, atuei como professor do curso Vestibular da Cidadania para Inclusão Social, da extinta Universidade Virtual do Maranhão – UNIVIMA. Em 2011 consegui minha remoção da primeira matrícula do Estado de Chapadinha para Anapurus e continuei atuando lá, no C. E. Deputado Júlio Pires Monteles atuando e no município de Mata Roma no Colégio Marcelino Monteles até o mês de julho deste ano, quando entrei de licença para cursar o doutorado.

                                                        Então, já se foram quase 23 anos de atuação como professor, tendo a oportunidade poder ter atuado em diferentes modalidades e níveis de ensino.

                                                        2. Por que fazer a OPMBr? Como foi participar da seleção e ser medalhista?

                                                        Participar da OPMbr foi a realização de um sonho antigo que tenho desde a primeira edição da OBMEP, em 2005, quando eu já era professor e, portanto, não tive a oportunidade de participar desta importante competição dessa disciplina que tanto amo. Sempre levei a OBMEP e o ambiente olímpico pra minha sala de aula, desde a primeira edição, mas só podia me realizar através das conquistas dos meus alunos. A OPMbr foi a oportunidade que eu tanto esperei para buscar a realização por mim mesmo.

                                                        Participar da seleção foi um grande desafio, mas confesso que não tinha muitas expectativas com relação ao resultado. Eu até tentava me imaginar conquistando um bronze, mas como costumo dizer, nem em meus melhores e maiores sonhos eu sequer ousaria ter sonhado em ser um medalhista de ouro. Eu relutei em acreditar, mesmo com o anúncio na live da premiação. A ficha não queria cair. Foi um incrível misto de sensações (felicidade, alívio, satisfação, gratidão e euforia).

                                                        3. Como foi o intercâmbio em Shanghai na China? Conte sobre a experiência das visitas nas empresas, escolas, universidades e outros lugares que gostaria de destacar.

                                                        O intercâmbio foi a realização de um outro sonho inimaginável, para mim. Viajar para outro país, vivenciar um pouco de uma cultura totalmente distinta da nossa e poder ver como a Educação funciona por lá e o que podemos aplicar aqui para melhorar a nossa foi uma experiência incrível. A visita às empresas nos serviu para conhecermos um pouco das novas tecnologias que estão sendo desenvolvidas como potenciais recursos para a Educação e qualidade de vida.

                                                        Visitar as escolas e universidades foi superimportante para traçarmos um paralelo com nossas escolas e universidades e podermos trazer o que podemos implementar, dentro de nossa realidade. Também tivemos a oportunidade de conhecer pontos turísticos, centros comerciais e culturais, o que tornou a viagem ainda mais magnífica. Não poderia deixar de mencionar o bônus de podermos passear e conhecer alguns pontos turísticos de Paris, na escala do voo de ida. E ainda tivemos uma experiência emocionante de estarmos em meio a um tufão de uma magnitude que não acontecia em Xangai havia 75 anos. Aprender a utilizar o metrô de Xangai também foi um bom desafio.

                                                        4. O que achou da experiência do Teaching Research Group? Na sua opinião, daria para implementar nas escolas do Brasil?

                                                        O Teaching Research Group é uma excelente forma de trabalho e muito do que vimos por lá pode ser implementado aqui no Brasil. É fato que há pontos que exigiriam um alto investimento em estrutura e outros que demandam uma drástica mudança cultural, então, esses pontos não são possíveis de serem implementados aqui, mas há outros que dependem apenas de força de vontade e mudança e flexibilidade para podermos integrá-los à nossa prática.

                                                        Alguns exigem um certo investimento, mas dentro do alcance e outros demandariam mudanças possíveis na formação dos professores, o que levaria algum tempo, mas também são totalmente plausíveis.

                                                        5. O que você destacaria sobre o Ensino de Matemática na China? Na sua opinião, depois de alguns anos, o que fez a China obter ótimos resultados em avaliações, como por exemplo no PISA?

                                                        A primeira grande diferença é cultural. A Educação é realmente encarada como prioridade pelas famílias, o que faz com que os filhos sejam conscientizados da importância de receberem uma boa Educação, fazendo com que sejam estudantes comprometidos, respeitosos e responsáveis. O fato de, devido à grande demanda, o Ensino Médio não ser ofertado a todos e seu ingresso ser por meio de exame seletivo feito em uma única oportunidade, sem segunda chance, sendo que apenas 50% dos alunos do Ensino Fundamental conseguem o ingresso, faz com que não haja reprovação durante o Ensino Fundamental. Os alunos são submetidos a avaliações periódicas ao longo dos anos letivos, mas não em caráter aprovativo/reprovativo. O aluno realmente se dedica a aprender pois sabe que ao final do Ensino Fundamental só terá uma chance de seguir para o Ensino Médio.

                                                        Cada professor só leciona em duas turmas de mesma série/ano, uma aula por dia, de segunda a sexta e o restante do tempo ele planeja suas aulas, corrige tarefas, elabora tarefas e avaliações, participa de reuniões e atende alunos com maior dificuldade. Os livros didáticos são produzidos pelos seus melhores professores e não são comercializados, inclusive, os autores não recebem pagamento.

                                                        Os professores que estão ingressando no magistério são tutorados por professores mais experientes durante o período de um a três anos. Todas as escolas são de tempo integral e com excelente estrutura.

                                                        Os melhores professores gravam videoaulas que ficam em uma plataforma para auxiliar alunos que faltaram às aulas ou para auxiliar professores que estejam com dificuldade para ministrar aquele conteúdo. Os alunos não podem portar celular na escola.

                                                        6. Do aprendizado e modelo de ensino de Matemática na China, o que gostaria de levar ou já levou para a sua sala de aula?

                                                        O método “step by step” (passo a passo); o estabelecimento de objetivos em quantidade níveis possíveis de serem alcançados em cada aula; aulas estruturadas em tarefas gradativas (tasks); planejamento coletivo; aulas públicas; reuniões semanais (aqui poderiam ser quinzenais, por exemplo) para discutir dificuldades de aprendizagens das turmas ou de abordagens das aulas; atendimento individual dos alunos com maior dificuldade.

                                                        7. Fale um pouco dos Workshops sobre o intercâmbio na China que estão planejando. Como e quando será?

                                                        Os workshops ainda estão em fase de elaboração e planejamento, mas a ideia é de possibilitar vários formatos de apresentação (palestras, minicursos, oficinas, mesas redondas, dentre outros), com o intuito de disseminar em nossos Estados e nos demais que se interessarem o que foi apreendido da Educação de lá que está rendendo bons frutos e pode ser replicado ou adaptado aqui no Brasil. A previsão é que aconteçam em janeiro e/ou fevereiro do próximo ano.

                                                        8. Após a participação no intercâmbio, sua vida profissional mudou?

                                                        Com toda a certeza. Tenho tido mais reconhecimento do meu trabalho e algumas oportunidades de participar e de contribuir em alguns espaços e eventos, de natureza acadêmica ou profissional, que visam promover uma reformulação de Educação Matemática, o que tem sido extremamente enriquecedor por toda a troca de conhecimentos e experiências vivenciada.

                                                        9. Que conselhos você daria para os professores que desejam participar da próxima edição da OPMBr?

                                                        Buscar não ser apenas um professor que gera bons resultados para a escola, mas ser um professor que faz a diferença e impacta seus alunos, e mostre para os alunos o prazer que ele tem em lecionar Matemática, para que os alunos possam ser contagiados e desenvolver o prazer por aprender.

                                                        10. Gostaria de complementar mais algum detalhe?

                                                          Esta foi a primeira edição da OPMbr e sei que ela mudou a vida de muitos dos professores que participaram dela, então, que nas próximas edições nós tenhamos milhares de professores pelo país entusiasmados para participar, pois tenho certeza de que nós somos apenas o início de uma revolução no ensino da Matemática em nosso país.

                                                          Entrevista com Silmara Louise da Silva, medalhista de ouro na primeira edição da OPMbr

                                                          Silmara Louise da Silva
                                                          Poços de Caldas – MG
                                                          Professora das redes municipal e estadual

                                                          1. Conte um pouco sobre sua formação, trajetória acadêmica e atuação no Ensino de Matemática.

                                                          Desde criança, meus pais me incentivaram a brincar com jogos e atividades que envolviam lógica e matemática. Essa curiosidade foi crescendo comigo e, quando chegou a hora de escolher uma carreira, já sabia que queria seguir esse caminho. Escolhi a licenciatura em Matemática, tanto pela afinidade quanto pela acessibilidade, e minha primeira experiência foi no ensino de jovens e adultos, algo que transformou profundamente minha visão de ensino. Ali, com alunos de diferentes idades e vivências, aprendi o valor da empatia e da paciência. Vi como é essencial acolher as dificuldades dos estudantes e oferecer um ambiente onde eles se sentem à vontade para errar e aprender. Durante 14 anos de docência, sempre tento criar esse espaço seguro para meus alunos, onde eles podem fazer perguntas sem medo de julgamento. Sinto que essa abertura e confiança são o que torna nosso aprendizado mais verdadeiro e significativo.

                                                          2. Por que fazer a OPMBr? Como foi participar da seleção e ser medalhista?

                                                          “Quando meu orientador me falou da OPMBr, fui com o coração aberto, mas sem grandes expectativas. Não achava que fosse chegar tão longe, muito menos ser medalhista. As etapas de seleção foram, para mim, acontecendo de maneira natural: na primeira fase, respondi uma prova onde pude mostrar meus conhecimentos e prática pedagógica; na segunda, gravei um vídeo com depoimentos de alunos e colegas sobre o impacto do meu trabalho, algo que me emocionou profundamente. Na última fase, pude compartilhar minha paixão pelo ensino e pela matemática em uma entrevista que coroou todo esse processo. Esse reconhecimento foi uma surpresa linda e me fez ver que a dedicação de todos os dias realmente faz diferença.”

                                                          3. Como foi o intercâmbio em Shanghai na China? Conte sobre a experiência das visitas nas empresas, escolas, universidades e outros lugares que gostaria de destacar.

                                                          “Shanghai foi uma experiência transformadora em vários sentidos. Quando vi como é o ingresso dos alunos no ensino médio na China, fiquei surpresa e um pouco chocada: apenas metade dos jovens tem a chance de seguir para o ensino médio regular. Isso os motiva a estudar intensamente desde cedo, o que acaba moldando toda a dinâmica educacional. Também fiquei impressionada com o tempo e o cuidado que os professores têm para planejar suas aulas e dar feedback aos alunos. Diferente de nós, eles conseguem se concentrar em menos turmas e têm o apoio de uma estrutura que realmente valoriza o tempo de planejamento. Isso me inspirou muito a repensar a organização do meu próprio trabalho e a valorizar ainda mais cada momento de preparação.”

                                                          4. O que achou da experiência do Teaching Research Group? Na sua opinião, daria para implementar nas escolas do Brasil?

                                                          “A experiência do Teaching Research Group foi reveladora e muito enriquecedora. Ver os professores se reunindo para discutir práticas, trocar ideias e aprimorar seus métodos me fez sonhar em ver algo parecido no Brasil. Sei que temos muitos desafios, como a alta carga horária dos professores e as jornadas duplas ou até triplas de trabalho, mas acredito que, com esforço, algumas escolas poderiam encontrar formas de viabilizar esse tipo de encontro. Seria incrível ver mais espaços onde os professores pudessem se apoiar e evoluir juntos.”

                                                          5. O que você destacaria sobre o Ensino de Matemática na China? Na sua opinião, depois de alguns anos, o que fez a China obter ótimos resultados em avaliações, como por exemplo no PISA?

                                                          “Na China, tudo parece planejado e estruturado de uma forma que realmente coloca a educação no centro. Os investimentos no desenvolvimento dos professores e a maneira como as políticas públicas incentivam a formação constante criam um ambiente onde o ensino de Matemática é levado muito a sério. É uma dedicação que transparece nos resultados, e acredito que esse comprometimento é o que faz a diferença nos números do PISA.”

                                                          6. Do aprendizado e modelo de ensino de Matemática na China, o que gostaria de levar ou já levou para a sua sala de aula?

                                                          “Voltei da China com uma vontade imensa de aprofundar cada conceito em vez de cobrir muitos tópicos de forma rápida. Esse foco no detalhe e na profundidade é algo que já comecei a implementar, tentando fazer com que cada tema ganhe um significado mais profundo para os alunos. Passei também a usar tarefas semanais, com feedback rápido, para que os estudantes vejam seu progresso e se sintam mais engajados. É gratificante ver como eles estão se dedicando mais, sabendo que vamos discutir os resultados juntos na semana seguinte.”

                                                          7. Fale um pouco dos Workshops sobre o intercâmbio na China que estão planejando. Como e quando será?

                                                          “Os workshops são uma oportunidade incrível para compartilhar o que aprendi e, ao lado de outros professores brasileiros, adaptar o que vimos na China para a nossa realidade. Nossa ideia é começar com encontros em nível local, por causa das nossas próprias cargas horárias, mas queremos expandir para diferentes formatos que possam atender escolas em qualquer lugar. Acredito que essa troca de experiências pode ser transformadora para todos nós e, no futuro, espero que esses encontros sejam sistematizados e se tornem momentos de muita aprendizagem e inovação.”

                                                          8. Após a participação no intercâmbio, sua vida profissional mudou?

                                                          “Com certeza. Sinto uma responsabilidade ainda maior com o aprendizado dos meus alunos e com o impacto que quero causar na educação. Além disso, venho participando de eventos educacionais que estão ampliando minha visão sobre a docência e me conectando a profissionais de destaque no cenário educacional brasileiro. Sinto que estou crescendo como educadora e como pessoa, e essa é uma mudança que levo comigo para a vida.”

                                                          9. Que conselhos você daria para os professores que desejam participar da próxima edição da OPMBr?

                                                          “Se você tem vontade de participar da OPMBr, vá com tudo! Acredite no valor do seu trabalho e no impacto que ele tem na vida dos seus alunos. Muitas vezes, nos sentimos isolados, achando que nosso esforço é pequeno, mas a verdade é que fazemos a diferença todos os dias. A OPMBr é uma chance de mostrar o que fazemos de melhor e de nos conectarmos com colegas incríveis que compartilham dessa mesma paixão.”

                                                          10. Gostaria de complementar mais algum detalhe?

                                                          “Gostaria apenas de reforçar o quanto essas experiências têm me feito crescer. Tanto a OPMBr quanto o intercâmbio em Shanghai me abriram os olhos para o potencial da colaboração entre educadores. Acho que estamos sempre aprendendo, e quanto mais dividimos nossas ideias e práticas, mais impacto conseguimos gerar na educação.”

                                                          Entrevista com a Secretária Regional do Centro-Oeste Professora Maria Botelho

                                                          1- Fale um pouco sobre sua formação, trajetória e atuação no Ensino de Matemática.
                                                          Eu tenho Graduação, Especialização e Mestrado (PROFMAT) em Matemática. Sou professora efetiva da rede estadual de Minas Gerais. Iniciei a minha carreira docente em 1981 ministrando aulas para uma turma multisseriada em uma escola da zona rural e já trabalhei com todas as séries da educação básica, mas nos últimos anos só atuo no Ensino médio.

                                                          2- Como você vê a importância da atuação da ANPMat no atual cenário?
                                                          Eu acompanho a atuação da ANPMat desde a sua criação e participei de todos os Simpósios de Formação dos Professores de Matemática realizados pela associação desde 2015, sendo que em alguns deles também ministrei palestras e/ou minicursos, com apoio da OBMEP.
                                                          Sou testemunha de que a diretoria anterior e atual da ANPMat, juntamente com seus colaboradores não medem esforços no sentido de contribuir com a formação continuada de professores de Matemática da educação básica. Além disso, ela tem disseminado cada vez mais novas ideias, promovido troca de conhecimento metodológico e tecnológico e; também experiências profissionais através da apresentação de trabalhos, realização de minicursos, apresentações de palestras durante a realização de Simpósios regionais e nacional, além de Lives e publicações mensais.
                                                          Vale ressaltar que a maioria dos participantes dos eventos promovidos pela associação criam laços e compartilham suas experiências, vivências e conhecimento, durante e após os eventos. Isso evidencia a importância da ANPMat, que cada vez mais promove a disseminação de boas práticas, a socialização do conhecimento e dos docentes de todas as regiões do país.

                                                          3- Na sua opinião, o que podemos fazer para melhorar o ensino de Matemática na Educação básica do Brasil?
                                                          Na minha opinião nós: professores, pais, estudantes, sociedade e dirigentes temos que repensar o nosso compromisso com a educação como um todo. Precisamos de um planejamento de longo prazo resultante de ampla discussão, com investimento necessário e que não seja engavetado com a troca de governantes.
                                                          O conhecimento, que na maioria das vezes os docentes adquiriram por conta própria, assim como as experiências exitosas devem ser reconhecidos e compartilhados, como por exemplo através das ações da ANPMat.
                                                          Eu participei da OBMEP desde a sua criação em 2005, atuando na E.E Messias Pedreiro em Uberlândia-MG, uma escola que coleciona histórias de lutas, de superação e de conquistas em todas as edições. Somamos 653 premiações de 2005 a 2019, entre medalhas e menções honrosas; e, eu particularmente fui premiada em todas as edições que participei. Todos os anos nosso maior desafio era envolver todos os alunos e tornar a OBMEP inclusiva e não discriminatória.
                                                          Desde 2012, nossos estudantes também participam de um projeto que oferece aulas de programação e preparação para a Olimpíada de Informática e outras competições. Os participantes, assim como acontecia durante a preparação para a OBMEP, atuam também como é multiplicadores, visando oportunizar um maior número de jovens atendidos pelo projeto. Posteriormente, esse projeto foi adaptado e estendido para outras escolas e cidades da região.
                                                          As premiações na OBMEP e a participação nesse projeto de programação, premiados ou não, contribuíram para que os nossos jovens conseguissem bolsas de estudo, estágios e empregos bem remunerados no Brasil e no exterior; como no google, facebook e outras grandes grupos empresariais.
                                                          Diante desses fatos, uma sugestão é que seja oferecido a todas as escolas da educação básica, oportunidade de ofertar aulas de programação básica e de programação quântica e que os professores sejam preparados para ministrar tais aulas.


                                                          4- Como foi a sua experiência com o PROFMAT? O que mudou na sua vida com o PROFMAT?
                                                          Iniciei o PROFMAT em um momento que estava me preparando para aposentar e eu diria que usei o PROFMAT e a bolsa que recebi como desculpa para continuar atuando na rede pública estadual. Cheguei a pedir e posteriormente revogar o afastamento preliminar para a aposentadoria, pois considero a sala de aula (presencial e/ou online) um ambiente desafiador e inspirador.
                                                          Assim como a graduação e a especialização, o PROFMAT deixou lacunas que não foram preenchidas, mas foi sem dúvida uma experiência muito enriquecedora.

                                                          5- Como está sendo a sua experiência com as aulas e atividades on-line?
                                                          O volume de trabalho aumentou bastante, mas me sinto razoavelmente adaptada às ferramentas tecnológicas de ensino; e, tal fato em grande parte é devido a muito estudo, à cooperação dos colegas professores e à minha experiência com projetos de resolução de problemas e olimpíadas, que mesclava atividades online, presenciais e o uso de redes sociais; visando à mudança cultural necessária para que o estudante deixe de ter preconceitos com relação à Matemática e aprenda a aprender não só Matemática.
                                                          Conviver, mesmo que virtualmente com os estudantes, acompanhá-los pelo WhatsApp, na plataforma Classroom (conexão escola), nas aulas pelo Google Meet; analisar as respostas das suas auto-avaliações e conhecer as dificuldades relatadas por eles em relação a rotina, desmotivação e aspectos emocionais, provocou em mim muitas reflexões e a confirmação de que nada foi fácil para ninguém, principalmente para quem não tinha conectividade ilimitada e se tem é por meio de um celular que muitas vezes é compartilhado; e, também deixou lacunas que devem ser preenchidas e dificuldades que devem ser sanadas.
                                                          Por outro lado, tudo que experenciei e/ou observei imprime em mim coragem para seguir em frente e motivação para descobrir novas formas de ensinar e aprender.
                                                          Sei que temos muito o que melhorar, mas fizemos o melhor que podíamos nas condições que nos foram dadas.
                                                          Sei que a busca ativa e o apoio aos estudantes que atrasam a entrega das atividades por vários motivos é uma luta diária, mas fica a certeza de que novas metodologias, novas tecnologias são importantes; mas nada substitui as interações presenciais aluno-aluno e aluno-professor.

                                                          Entrevista com o Secretário Regional da ANPMat da Região Nordeste Prof. Odimógenes Soares Lopes

                                                          1- Fale um pouco sobre sua formação, trajetória e atuação no Ensino de Matemática.

                                                          Graduado em Licenciatura Plena em Matemática pela Universidade Estadual do Piauí (2001), Especialização em Administração Escolar pela Universidade Cândido Mendes (2003) e Mestrado em Ensino de Ciências e Matemática pela Universidade Luterana do Brasil (2009). Atualmente é professor titular do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí (IFPI) – Campus Floriano, com atuação em disciplinas do curso de Formação de Professores de Matemática.  Foi coordenador Institucional do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID/IFPI 2011) no período de 2011 e 2012 e atualmente é coordenador do Curso de Aperfeiçoamento de Professores de Matemática do Ensino Médio (CAPMEM), vice-coordenador do Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional (PROFMAT) e Diretor-geral do IFPI – Campus Floriano.

                                                          2- Como você vê a importância da atuação da ANPMat no atual cenário?

                                                          A ANPMat é uma organização de suma importância para disseminação de boas práticas, práticas inovadoras e experiências exitosas em ensino de Matemática, bem como de apoio aos professores de Matemática de nosso país, por meio da realização de eventos regionais e nacional que possibilitam a formação continuada em docência de Matemática.

                                                          3- Na sua opinião, o que podemos fazer para melhorar o ensino de Matemática na Educação básica do Brasil?

                                                          Trata-se de uma questão de difícil análise, mas, em sentido amplo, precisamos de mais investimento na Educação Básica em Escolas de Tempo Integral e foco na melhoria da formação dos professores de Matemática desde a formação inicial, além da valorização de professor, de modo geral.

                                                          Assim,  poderemos ter mais investimentos e incentivos em bons programas e projetos como a OBMEP e o PROFMAT, que contribuem de sobremaneira com a melhoria do ensino de Matemática na educação básica em nosso país.

                                                          4- Como foi (ou está sendo) a sua experiência com o PROFMAT? O que mudou na sua vida com o PROFMAT?

                                                          Eu não sou egresso do PROFMAT, mas agora estou ministrando a disciplina Matemática Discreta, em parceria com o professor Ronaldo Campelo, e a experiência tem sido muito enriquecedora, uma troca de conhecimento entre professores, pois, ao passo que ensino, também aprendo com os nossos discentes.

                                                          5- Na sua opinião, quais as influências positivas do PROFMAT na formação do professor da educação básica?

                                                          Sem dúvidas, o PROFMAT tem contribuído significativamente para a formação do professor de Matemática da educação básica, pois o professor tem oportunidade de aprofundar seus conhecimentos em importantes temas do ensino fundamental e médio ao mesmo tempo em que oportuniza a esse mesmo professor refletir sobre sua prática e construir conhecimento relacionado ao ensino de Matemática durante a produção de sua dissertação.

                                                          6- Como está sendo a sua experiência com as aulas e atividades on-line? Alguma dica que considera interessante para o ensino remoto?

                                                          Tive uma experiência com a disciplina Matemática Discreta no PROFMAT que  me oportunizou conhecer e utilizar novas tecnologias, tais como a lousa digital e o Google Meet, ferramentas que diminuem a distância entre professor e alunos.

                                                          Entrevista com o secretário regional da ANPMat da Região Norte Prof. Aroldo Athias

                                                          1- Fale um pouco sobre sua formação, trajetória e atuação no Ensino de Matemática.

                                                          Decidi ser professor quando estava no 2º ano do ensino médio e considero que essa foi uma das decisões mais importantes de minha vida, pois não consigo me imaginar fazendo outra coisa. Mas nossas decisões não são simples resultado de nossa vontade, são também consequência de nossa história. Com excelentes professores na educação básica, mãe e tias todas professoras, não me faltaram exemplos para seguir. Não à toa, desde a 6ª série do ensino fundamental comecei a trazer colegas para estudar em casa, prática que virou rotina até o fim do ensino médio.

                                                          Minha educação básica foi toda dentro de um modelo tradicional de ensino, em instituições privadas, e deu muito certo pra mim. Apesar disso, defendo a escola pública e penso que muitas práticas tradicionais de ensino precisam ser superadas. Sobre o ensino tradicional, penso que o fato de ter funcionado comigo não implica que funcione para a maioria das pessoas. Quanto a defesa da escola pública, e gratuita, vem da compreensão de educar é dar oportunidade e todos devem ter as mesmas oportunidades, não apenas quem pode pagar. Eu tive oportunidade de fazer minha escolha e escolhi ser professor. Não quero que a oportunidade que tive seja negada a outros. Negar educação a alguém é limitar seus sonhos, quero ajudar outras pessoas a sonharem, a verem que o campo de possibilidades que lhes é apresentado nem sempre representa tudo o que realmente está à disposição delas.

                                                          A opção pela matemática veio depois da decisão pela docência. A Matemática era uma paixão pessoal e é bom ensinar sobre aquilo que se gosta. Fiz o curso de licenciatura na Universidade do Estado do Pará (Uepa). Foi na universidade que entrei em contato com as ideias de Paulo Freire e me identifiquei bastante com elas, mas daí a coloca-las em prática, há um grande abismo que ainda venho tentando transpor, mas acho que estou, aos poucos conseguindo.

                                                          Dois anos depois de formado tive a oportunidade de me tornar professor efetivo da escola pública estadual. No começo, era um professor de matemática bem tradicional, mas com o tempo fui percebendo que essa postura não estava contribuindo para que os alunos aprendessem. Aos poucos fui modificando minhas práticas, encontrando meu caminho como professor. Cometi, e ainda cometo muitos equívocos, mas todos os erros foram ou são na tentativa de acertar.

                                                          Em 2011, entrei no mestrado e o PROFMAT mudou completamente a minha vida. Mas vou deixar para falar mais sobre isso nas próximas perguntas.

                                                          2- Como você vê a importância da atuação da ANPMat no atual cenário?

                                                          A ANPMat é a Associação Nacional dos Professores de Matemática da Educação Básica. Logo, em seu nome carrega a missão de congregar os professores de matemática de todo país em uma imensa rede colaborativa. Mais do que nunca precisamos nos conhecer, compartilhar nossas experiências, saber o que está dando certo e o que não está funcionando. A pandemia criou um cenário no qual o ensino remoto se faz necessário, e com ele a demanda pela apropriação por ferramentas tecnológicas pelos professores. Colaborar com este processo de formação dos docentes é uma parte importante da missão da ANPMat, a qual esta vem buscando realizar através da realização dos Simpósios, de lives e de publicações.

                                                          3- Na sua opinião, o que podemos fazer para melhorar o ensino de Matemática na Educação Básica do Brasil?

                                                          Essa é uma questão complexa, pois depende de muitas variáveis. Melhorar a qualidade do ensino de matemática na educação básica perpassa pela melhoria do sistema educacional como um todo. Necessitamos de políticas públicas voltadas para educação que melhorem as condições estruturais de trabalho nas escolas, esse é um primeiro passo importantíssimo e que depende de vontade política e sabemos que, infelizmente, nossos governantes não costumam colocar educação como prioridade. E aí não basta colocar dinheiro na educação, é preciso garantir que esse dinheiro chegue nas escolas e que seja utilizado com o objetivo de melhorar a qualidade da educação oferecida nesses espaços de formação. Esse é o primeiro ponto, e não pode ser ignorado.

                                                          Uma outra questão central é a forma como o sistema de ensino está estruturado, a meu ver, o modelo disciplinar, no qual as diferentes áreas não se comunicam, é uma razão importante para os problemas enfrentados com o ensino de matemática. Assim, como podemos ver, o problema do ensino de matemática vai muito além da alçada do professor de matemática. O objetivo do ensino não pode ser simplesmente preparar os alunos para o ano seguinte, reproduzindo um modelo de formação punitiva e que visa o controle dos indivíduos.

                                                          Finalmente, temos a importantíssima questão da formação do professor de matemática, que é onde nós da ANPMat temos maiores chances de colaborar. Nesse aspecto, um trabalho importante já vem sendo feito por meio dos Simpósios da Formação do Professor de Matemática, reunindo professores para discutirem sobre suas práticas.

                                                          No sentido de tentar não deixar a pergunta sem resposta, penso que precisamos criar mais espaços para debater questões como “qual a finalidade daquilo que ensino?” ou “como o aluno aprende?”. A meu ver, o problema do ensino de matemática vai além de um despreparo no que diz respeito ao domínio de conteúdos matemáticos em si. O problema começa com o desconhecimento de metodologias para o ensino desses conteúdos, é verdade, mas vai muito além disso, esbarra nas próprias concepções de ensino que nós, professores de matemática carregamos conosco. E eu não digo isso pensando nos colegas professores, falo isso começando por mim mesmo. Precisamos sair do “modo automático” e começar a refletir sobre nossas práticas docentes.

                                                          Precisamos ter em mente que não se trata apenas de melhorar o ensino de matemática, o professor de matemática não está e não pode trabalhar isolado, pensando apenas em seu nicho, trata-se de melhorar o ensino como um todo. Precisamos pensar em conjunto com os colegas de outras áreas do conhecimento sobre que tipo de pessoa desejamos formar, meros reprodutores e defensores do modelo injusto de sociedade que temos vivenciado ou cidadãos dispostos a agir sobre essa realidade para transformá-la? Penso que é urgente nos fazermos a pergunta: “o que estamos ensinando e a forma como estamos ensinando têm contribuído em qual dessas direções?”.

                                                          4- Como foi a sua experiência com o PROFMAT? O que mudou na sua vida com o PROFMAT?

                                                          Como disse antes, o PROFMAT mudou completamente a minha vida. A possibilidade de fazer o mestrado permitiu que mais tarde eu me torna-se professor da universidade. Hoje eu atuo como professor do curso de licenciatura integrada em matemática e física da Universidade Federal do Oeste do Pará, a Ufopa, mas, logo que me formei, tive o privilégio de ser um dos egressos do programa sorteado para realizar um curso de Didática da Matemática em Paris. Passei quatro semanas naquele belíssimo lugar, convivendo com outros 25 professores, também egressos do PROFMAT, das mais diversas regiões do país. Até hoje muitos de nós mantemos contato e essa rede de contatos que foi criada lá é importantíssima. Foi por causa deles que comecei a participar dos Simpósios e foi daí que veio meu envolvimento com a ANPMat. Então posso afirmar que, se hoje faço parte da ANPMat, é graças ao PROFMAT.

                                                          Mas minha relação com o PROFMAT não termina por aí. Já na universidade, comecei a atuar como professor assistente e depois efetivo dentro do programa. Já fui vice-coordenador do programa na Ufopa e hoje faço parte da comissão nacional de avaliação dos discentes do programa.

                                                          Resumindo, apesar de todo conhecimento construído durante os dois anos de curso, avalio que a principal marca que o PROFMAT deixou em minha vida foi essa rede de contatos maravilhosa que foi criada, desde os colegas e professores do curso, até os colegas professores que passei a conhecer dos mais diversos cantos do país.  Todos os dias aprendo muito com eles.

                                                          5- Como está sendo a sua experiência com as aulas e atividades on-line? Alguma dica que considera interessante para o ensino remoto?

                                                          Minha experiência com o ensino remoto está sendo melhor do que o que eu esperava. Minha preocupação é com aqueles alunos que, por uma razão ou por outra, acabam excluídos desse processo. Muitos alunos não conseguem ter acesso a uma conexão de qualidade e acabam prejudicados. O processo de exclusão acaba se intensificando com o ensino remoto. Atualmente, por exemplo, estou trabalhando remotamente o conteúdo de Geometria Espacial com uma turma em que um dos alunos é cego. Tem sido um desafio. O que fiz para tentar contornar o problema foi levar até a casa dele algumas peças em acrílico disponíveis em um dos laboratórios da universidade, para que ele pudesse manipulá-las enquanto os conceitos são trabalhados à distância. Mesmo assim, não consigo deixar de pensar que poderia auxiliá-lo de maneira muito melhor se não fosse necessário manter o isolamento.

                                                          Para mim, a transição foi menos dura do que imagino que tenha sido para muitos colegas, pois, ainda quando estava atuando de forma presencial, já vinha me servindo de estratégias como uso de ambientes virtuais de aprendizagem para tentar ampliar as possibilidades de interação ou de softwares como o GeoGebra para desenvolver atividades com os alunos. Mas acho que o que tornou essa transição ainda menos dolorosa foi o fato de que meus paradigmas sobre os processos de ensino-aprendizagem e de avaliação sofreram muitas transformações antes de entrarmos na pandemia.

                                                          Imagino que o ensino remoto tenha sido muito doloroso para professores que ainda enxergavam o processo de avaliação dentro de uma perspectiva de controle e atribuição de notas a partir da realização de provas. Afinal, como fiscalizar o aluno nesse contexto de aulas remotas? Como se certificar se não estão colando? Se são eles mesmos que estão realizando os trabalhos?

                                                          Vejam que a solução para essas perguntas não está em criar mecanismos tecnológicos de fiscalização e controle dos alunos, mas em uma mudança de concepção da parte do professor, que precisa ser capaz de perceber que o processo de avaliação não tem um fim em si mesmo, mas visa responder à pergunta “o aluno está aprendendo?” com a finalidade de garantir que essa aprendizagem ocorra por meio de mudanças nos métodos de ensino-aprendizagem adotados e não com o intuito de produzir uma nota que não implicará em qualquer mudança nas estratégias de ensino utilizadas pelo professor.

                                                          Reduzir os processos de exclusão criados pelo acesso desigual que as pessoas têm à tecnologia depende de uma vontade governamental que não temos visto, e exige organização, articulação e luta por parte da sociedade. Isso leva tempo, mas precisa ser feito. Entretanto, minha dica para estes tempos de ensino remoto é que mais do que nos apropriarmos da tecnologia disponível para reproduzir um modelo tradicional de ensino que já se provou ineficaz em muitos aspectos, possamos nos agarrar a este momento em que estamos aprendendo tantas coisas diferentes para realmente promovermos um ensino diferente, no sentido de migrarmos de um modelo meramente reprodutor para um transformador da realidade.