Iniciativa do IMPA é voltada para docentes do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental.
Já estão abertas as inscrições para a 1ª Olimpíada de Professores da OBMEP Mirim, iniciativa inédita do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) voltada a docentes do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental. A competição busca fortalecer a formação em matemática e valorizar o ensino da disciplina nos anos iniciais da educação básica.
Promovida em parceria com a B3 Social e com apoio acadêmico da Associação Nacional dos Professores de Matemática da Educação Básica (ANPMat), a olimpíada amplia as ações do IMPA para estimular o aprendizado de matemática nas escolas, que incluem também a OBMEP, (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas), voltada a alunos do 6º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio, e a OBMEP Mirim, destinada a estudantes do 2º ao 5º ano.
Para Marcelo Viana, diretor-geral do IMPA, a iniciativa devolve ao docente, especialmente dos anos iniciais, o protagonismo que lhe é devido no cenário da educação brasileira. “Tenho certeza de que vai contribuir muito para disseminar o gosto pela matemática entre nossos mestres”, afirma.
Quem pretende participar da Olimpíada é a professora Nancy Rosa, que leciona na Escola Municipal Capistrano de Abreu, na zona sul do Rio de Janeiro. “Acho que a Olimpíada é uma iniciativa que vai servir como estímulo para diversos professores. Ano passado, participei de um curso de formação voltado a professores da OBMEP Mirim e minha mente expandiu. Vi que era possível trabalhar o raciocínio lógico e chegar aos resultados de maneiras diferentes”, conta.
Podem participar professores com matrícula ativa em escolas públicas (municipais, estaduais ou federais) ou privadas de todo o Brasil que lecionam nos anos iniciais do Ensino Fundamental. A inscrição é gratuita para docentes da rede pública e custa R$ 45 para professores da rede privada.
Segundo Fabiana Prianti, head da B3 Social, frente de investimento social privado da bolsa do Brasil, a iniciativa reforça o papel transformador da educação. “Apoiar iniciativas voltadas ao ensino da matemática é fundamental, pois esse conhecimento é um instrumento poderoso para a redução das desigualdades sociais e para a preparação das pessoas diante dos desafios econômicos. É por meio da educação que conseguimos transformar realidades, ampliar oportunidades e construir um futuro mais justo.”
Responsável pelo suporte acadêmico à competição, a presidente da ANPMat, Sumaia Almeida Ramos, destaca a importância da participação dos docentes. “Esta primeira Olimpíada nasce do reconhecimento de que os professores dos anos iniciais têm um papel decisivo na construção das bases do pensamento matemático dos estudantes. Nossa expectativa é que a iniciativa contribua para fortalecer a identidade profissional dos docentes, inspirar práticas inovadoras em sala de aula e fomentar uma cultura de valorização do ensino de matemática desde os primeiros anos escolares.”
Como funciona a Olimpíada
A prova será realizada em fase única no dia 17 de outubro de 2026, às 14h30 (horário de Brasília), em centros de aplicação distribuídos pelo país. Os participantes terão três horas para resolver as questões.
As notas serão divulgadas em 1º de dezembro de 2026, na área restrita do participante, e a lista de premiados será publicada em 15 de dezembro.
Ao todo, serão distribuídas 25 medalhas de ouro, 50 de prata, 100 de bronze e 500 menções honrosas. Todos os medalhistas participarão de um curso de formação em matemática para professores do Ensino Fundamental I oferecido pelo IMPA. Os medalhistas de ouro também poderão participar de atividades presenciais no Rio de Janeiro, com despesas custeadas pelo instituto.
Após a formação, os medalhistas de ouro poderão submeter projetos pedagógicos para aplicação em sala de aula. Os projetos selecionados poderão receber uma bolsa de R$ 700 por quatro meses para implementação.
Sobre o IMPA
Fundado em 1952, o IMPA é um centro de pesquisa matemática e pós-graduação de renome internacional, com doutorado, mestrado e mestrado profissional. Em 2024, o Instituto inaugurou seu primeiro programa de graduação, o IMPA Tech. Também é o organizador da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), a maior olimpíada científica do mundo em número de participantes e da Olimpíada Mirim, voltada para alunos do 2º ao 5º ano do EF.
Evento de abertura do ano contou com 260 pessoas e marca expansão do projeto
“Não somos mais 22 escolas, somos um único projeto”. A fala da coordenadora do programa Meninas Olímpicas do IMPA (MOI), Letícia Rangel, marcou a abertura do encontro de boas-vindas do MOI 2026, nesta quarta-feira (1º), na sede do IMPA. O evento reuniu 260 pessoas e lotou o auditório principal do instituto. Ao longo do dia, as participantes acompanharam palestras, oficinas matemáticas e atividades de integração.
“Chegar nesse auditório e olhar para vocês faz a gente ter certeza de que o sonho pode virar realidade – e não é só o meu sonho”, afirmou Letícia.
Um sonho que segue crescendo e impactando mais mulheres e meninas. Em 2026, o projeto estreia em municípios como Petrópolis e São Francisco do Itabapoana. Ao todo, o MOI terá 170 alunas, 25 graduandas e 22 professoras, uma em cada escola participante. Para o diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana, o crescimento do programa reforça a relevância do projeto.
“O MOI não para de crescer e nesta segunda-feira (1º) nos brindou com o auditório do IMPA totalmente lotado, com meninas e mulheres discutindo a presença feminina nas áreas de STEM (Science, Technology, Engineering, and Mathematics), os diversos obstáculos a essa presença e o que pessoas e instituições podem fazer para vencê-los. Imperdível!”, avaliou. Nara Bobko, gerente acadêmica do IMPA Tech, também deixou uma mensagem de incentivo e o convite para a graduação. “É um grande orgulho estar aqui, ver esse auditório cheio de meninas é muito gratificante, ver de perto o empenho de vocês. Sejam bem-vindas. Estão todas convidadas para conhecer o IMPA Tech, e, quem sabe, atuar conosco. Aproveitam essa oportunidade aqui, é única. De certa forma, eu invejo positivamente, gostaria que o projeto já existisse quando tinha a idade de vocês. Sejam mulheres de sucesso!”
O evento começou com uma roda de conversa que reuniu Carolina Araujo, pesquisadora do IMPA; Yasmin de Barros, graduanda do IMPA Tech; e Ana Luísa Rodrigues, estudante de Engenharia Química da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Elas contaram experiências de suas trajetórias acadêmicas, refletiram sobre os desafios impostos pelas barreiras de gênero e como os superaram, além de oferecerem conselhos e motivação para as estudantes.
“No meu primeiro período, as matérias eram complicadíssimas: cálculo, física, desenho técnico. Chorava todo dia. Foi um caos, tive complexo de inferioridade, me senti muito sozinha”, contou Ana Luísa. O ponto de virada veio com o prêmio Elisa Frota Pessoa, conquistado por seu artigo sobre a mulher negra na engenharia, fruto de seis meses de pesquisa junto a sua professora. “Foi muito mais do que um prêmio. Serviu para reforçar que eu pertenço a esse lugar, que posso fazer diferença e ser uma mulher em exatas”, afirmou. A experiência contribuiu para elevar sua autoestima, e mostrou que, mesmo com dificuldades acadêmicas iniciais, é possível construir um caminho de protagonismo, aprendizado e inspiração para outras jovens.
Já a estudante do IMPA Tech Yasmim de Barros destacou o papel do incentivo familiar em sua formação. “Sempre fui muito curiosa, e aprender era como um superpoder. Mas foi o apoio da minha família que me fez acreditar que eu podia ir mais longe”, contou.
O interesse da estudante pela área se consolidou com a participação na OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas e Privadas), que apresentou uma nova forma de pensar a disciplina. “Era uma matemática que exigia raciocínio lógico, que fazia a gente pensar fora da caixa. Foi um desafio e foi isso que me fez escolher esse caminho”, afirmou.
Ao final, Yasmin deixou uma mensagem às participantes. “Todas vocês são capazes. A história que divido com vocês é sobre incentivo e sobre abraçar oportunidades.”
Entre as alunas do projeto, o entusiasmo com a programação foi evidente. “Gostei bastante do projeto, achei muito interessante as palestras. Sou muito interessada em matemática e gosto de conhecer coisas novas”, disse Giovana Vitória, do Colégio Estadual Francis Hime.
Já Isadora de Matos, que participou do encontro pela primeira vez, ressaltou o impacto das trocas proporcionadas pelo evento. “Gostei de ouvir as histórias das meninas, é um incentivo para seguir na área. Também gosto das atividades de raciocínio e acredito que, participando do projeto, vou melhorar meu desempenho”, afirmou.
Criado em 2019 para enfrentar os estereótipos de gênero que ainda afastam meninas das áreas de exatas, o MOI aposta em uma abordagem que combina aprendizado e engajamento. As atividades começam com a matemática apresentada de forma acessível e divertida e evoluem para o desenvolvimento de projetos nas escolas.
O encontro também reflete o crescimento recente da iniciativa. Em 2024, o programa ampliou em 50% o número de escolas participantes, com apoio do SESI, parceiro do projeto. Neste ano, a expansão continua, com a chegada de cinco novas instituições e a ampliação do alcance territorial.
O IMPA e a ANPMat formalizaram, nesta segunda-feira (6/4/2026), um acordo de parceria voltado à melhoria do ensino da matemática e à formação de professores no Brasil. A colaboração prevê o desenvolvimento de iniciativas conjuntas para fortalecer a educação básica e ampliar o alcance de projetos na área.
O diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana, ressaltou a convergência entre as missões institucionais. “O acordo vem ao encontro dessa interseção de objetivos estratégicos, permitindo ampliar iniciativas que contribuam para o ensino de matemática no Brasil”, afirmou.
Para a presidente da ANPMat, Sumaia Almeida Ramos, a parceria representa uma oportunidade para impulsionar ações concretas voltadas à sala de aula e à formação docente. “A ANPMat se sente muito honrada em firmar esse acordo de colaboração com o IMPA, que certamente vai gerar projetos alinhados aos objetivos das duas instituições. A expectativa é que essa parceria traga impactos positivos tanto para a educação básica quanto para a formação de professores”, destacou.
Durante a reunião, as instituições também divulgaram a criação de uma premiação para reconhecer práticas inovadoras no ensino da Matemática na educação básica. Detalhes sobre formato, regulamento e inscrições serão anunciados em breve.
O novo prêmio se soma a outras ações já lançadas no âmbito da parceria, como a Olimpíada de Professores da OBMEP Mirim – iniciativa que integra o programa Toda Matemática, do Ministério da Educação. A competição científica, que será realizada neste ano, tem como objetivo incentivar o aprimoramento da prática docente nos anos iniciais do ensino fundamental.
O IMPA e a ANPMat pretendem ampliar o alcance de projetos educacionais e estimular a troca de experiências entre professores, fortalecendo o ensino de matemática em todo o país.
Evento acontece de 27 a 30 de agosto na Marina da Glória, no Rio de Janeiro
A 4ª edição do Festival Nacional da Matemática (Festmat) já tem data marcada e promete ampliar o alcance da matemática para públicos de todas as idades. Organizado pelo IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada), o evento será na Marina da Glória, na zona sul do Rio de Janeiro, entre 27 e 30 de agosto.
Como em todos os anos, os voluntários são peça fundamental no evento. Estudantes, profissionais de diferentes áreas e todos que acreditam no poder transformador da educação podem se inscrever até 10 de abril pelo site do Festival.
Desde sua criação, o Festival Nacional da Matemática já reuniu mais de 53 mil visitantes e se consolidou como um dos principais eventos de disseminação da matemática do país. O FestMat apresenta uma matemática viva, criativa e conectada às transformações do mundo contemporâneo, além de aproximar a ciência do cotidiano da sociedade.
O que esperar da 4ª edição do FestMat
Neste ano, o Festival Nacional da Matemática chega ainda maior: o público poderá desfrutar de quatro dias de programação. A ampliação reforça o crescimento do evento e a expectativa de receber um público ainda mais diverso.
A programação completa será divulgada em breve, mas o público pode esperar atividades interativas, oficinas, exposições, palestras e mesas-redondas que mostram a matemática de forma criativa, acessível e conectada à inovação. Haverá também dois dias dedicados à visitação escolar.
Como se inscrever para ser voluntário
Para se candidatar, é necessário ter 18 anos completos e estar disponível durante os dias de realização do evento. Os voluntários selecionados atuarão no apoio às atividades, recepção do público, organização das oficinas e suporte às equipes, entre outras funções. Todas as informações sobre requisitos, benefícios e atribuições estão disponíveis no regulamento e no manual do voluntariado, disponíveis aqui.
Participar como voluntário é uma oportunidade de vivenciar os bastidores de um grande evento de divulgação científica, trocar experiências com pessoas de diferentes trajetórias e contribuir diretamente para aproximar a matemática da sociedade.
Apresentamos entrevistas com os vencedores do desafio promovido pela ANPMAT. Ao todo, dez participantes que se destacaram na iniciativa compartilharão suas experiências, reflexões e trajetórias relacionadas ao ensino e à aprendizagem da matemática.
João Otávio Furtado da Silva
1.Conte um pouco sobre sua formação, trajetória acadêmica e atuação no ensino de Matemática.
Sou formado em Licenciatura em Matemática pelo Centro Universitário de Fernandópolis (UNIFEF) e possuo Mestrado Profissional em Matemática (PROFMAT), concluído na UNESP – IBILCE, campus de São José do Rio Preto. Atuo como professor no Ensino Médio e no Ensino Técnico da rede do Centro Paula Souza desde 2015, inicialmente na ETEC de Fernandópolis e, a partir de 2024, também na ETEC de Votuporanga. Ao longo dessa trajetória, tenho buscado articular o rigor matemático com propostas pedagógicas que favoreçam a compreensão conceitual, a contextualização e o engajamento dos estudantes.
2.Quais foram as principais motivações para participar do Desafio de Comunicação Científica e quais desafios ou dificuldades você encontrou ao longo do processo?
A principal motivação para participar do Desafio foi a oportunidade de integrar uma iniciativa de abrangência nacional, algo ainda pouco frequente na área da Educação Matemática. Entendo que desafios desse porte são raros e, quando surgem, devem ser aproveitados como espaços de aprendizado, visibilidade e troca de experiências. O maior desafio ao longo do processo foi sintetizar e organizar o conteúdo para o formato exigido, especialmente pela limitação de tempo do vídeo, restrito a apenas cinco minutos. O tema da criptografia, por sua natureza ampla e detalhista, envolve diversos conceitos matemáticos, históricos e aplicados, o que exigiu escolhas cuidadosas para preservar a clareza e a profundidade sem comprometer a objetividade da apresentação.
3.Como surgiu a ideia da proposta apresentada e quais objetivos pedagógicos orientaram sua elaboração?
A proposta apresentada surgiu a partir da minha dissertação de mestrado, intitulada Criptografia no Ensino de Matemática, cujo foco central é a Aritmética. A ideia foi articular conceitos matemáticos fundamentais com a evolução histórica da criptografia e suas aplicações, evidenciando como conteúdos clássicos da Matemática podem ser contextualizados de forma significativa.
4.Quais aprendizagens desse processo você considera mais significativas para o seu trabalho pedagógico e para a formação de estudantes da Educação Básica?
Do ponto de vista pedagógico, o principal objetivo foi mostrar que conceitos aritméticos, quando bem fundamentados teoricamente, podem ser adaptados a diferentes níveis de ensino, desde os anos finais do Ensino Fundamental até o Ensino Médio, favorecendo a compreensão conceitual, o raciocínio lógico e o interesse dos estudantes por temas matemáticos com aplicações concretas.
5.O que representa, para você, ser vencedor(a) deste Desafio em um evento de abrangência nacional?
Ser vencedor deste Desafio representa, para mim, o sentimento de colher os frutos do trabalho desenvolvido ao longo de 2025, resultado de um processo contínuo de estudo, dedicação e reflexão sobre a prática docente. Esse reconhecimento também simboliza a formação sólida que construí ao longo da minha trajetória acadêmica, desde a graduação até o mestrado. Além disso, vivencio esse resultado como uma forma de representar a minha cidade, a escola em que atuo e as instituições de ensino pelas quais passei, reforçando a importância da educação pública, da pesquisa e do compromisso com o ensino de Matemática de qualidade.
6.De que maneira essa experiência pode influenciar seus projetos futuros na área da Educação Matemática, seja no ensino, na pesquisa ou na formação de professores?
Viver essa experiência possibilitou compartilhar minhas práticas e reflexões e, ao mesmo tempo, conhecer professores extremamente comprometidos com uma educação de qualidade. Estar em contato com profissionais de diferentes contextos e realidades ampliou minha visão sobre o ensino de Matemática e fortaleceu a ideia de que o trabalho colaborativo é essencial para a inovação pedagógica. Além disso, essa convivência despertou reflexões mais profundas sobre minha trajetória acadêmica, levando-me a considerar a possibilidade de um doutorado e a planejar com mais clareza as próximas etapas da minha formação, tanto no campo da pesquisa quanto na atuação docente.
7.Gostaria de complementar com mais algum aspecto relevante ou deixar uma mensagem final?
Acredito que não podemos perder as oportunidades que surgem ao longo da trajetória acadêmica e profissional. Embora o caminho nem sempre seja fácil e envolva desafios, o processo de participação, aprendizado e superação torna o resultado final extremamente compensador. Participar de iniciativas como este Desafio é uma forma de crescimento pessoal, profissional e coletivo.
Josimar José dos Santos
1.Conte um pouco sobre sua formação, trajetória acadêmica e atuação no ensino de Matemática.
Sou licenciado em matemática pela Universidade Federal de Alagoas com mestrado em Matemática na mesma instituição no programa PROFMAT ( Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional). Estou em sala de aula desde o ano de 2010. Já atuei no ensino fundamental, ensino médio e superior lecionando matemática em instituições públicas e privadas. Atualmente sou professor de matemática dos cursos técnicos de nível médio integrado do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte, campus Natal – Zona Norte.
2.Quais foram as principais motivações para participar do Desafio de Comunicação Científica e quais desafios ou dificuldades você encontrou ao longo do processo?
Contribuir para melhoria no ensino da matemática na perspectiva de desenvolver uma aprendizagem significativa. Diante disso, pensei em desenvolver algo prático e que pudesse ser utilizado em sala de aula por outros professores. A principal dificuldade foi sintetizar um conceito matemático em um tempo entre 3 e 5 minutos e que apresentasse um certo rigor/profundidade do tema abordado.
3.Como surgiu a ideia da proposta apresentada e quais objetivos pedagógicos orientaram sua elaboração?
O tema da minha dissertação de mestrado foi sobre uma proposta didática envolvendo os números irracionais. A partir de estudos identifiquei que nos livros didáticos não é dada uma importância a essa classe de números. Assim, a ideia da proposta surgiu a partir da minha dissertação de mestrado.A elaboração da proposta teve como objetivos pedagógicos a compreensão conceitual, o estímulo à participação ativa, o fortalecimento do pensamento crítico e a construção da autonomia dos estudantes no processo de aprendizagem.
4.Quais aprendizagens desse processo você considera mais significativas para o seu trabalho pedagógico e para a formação de estudantes da Educação Básica?
É possível inovar sem perder o rigor, ou seja, é possível abordar conceitos matemáticos considerados como abstratos de forma lúdica sem perder a essência conceitual por trás do objeto de estudo.
5.O que representa, para você, ser vencedor(a) deste Desafio em um evento de abrangência nacional?
Vivemos em uma sociedade onde ser professor não tem muito prestígio/valor, principalmente sendo professor de matemática. Além disso, tem o fato de a matemática ser considerada uma disciplina difícil pela maioria dos alunos. Assim, ser vencedor desse desafio representa para mim o reconhecimento de que estamos no caminho certo e que é possível desenvolver o conhecimento matemático de forma compreensível e inovadora sem perder o rigor matemático.
6.De que maneira essa experiência pode influenciar seus projetos futuros na área da Educação Matemática, seja no ensino, na pesquisa ou na formação de professores?
Acredito que essa experiência e o produto final (vídeo explicativo sobre o número pi) contribuirá bastante nas minhas aulas de matemática como ferramenta complementar ou como material a ser utilizado em sala de aula como atividade investigativa sobre a representação decimal desse número tão fascinante. Além disso, pode contribuir para que outros professores possam utilizá-la como ferramenta didática.
7.Gostaria de complementar com mais algum aspecto relevante ou deixar uma mensagem final?
Gostaria de agradecer a ANPMAT pela oportunidade de participar de um desafio matemático como esse que foi proposto. Foi uma experiência incrível. Acredito que ações como esta podem incentivar outros professores do Brasil a participar de ações formadoras como essa e, além disso, fortalecer o ensino de matemática de forma inovadora, pois acredito que tem muita gente boa e com ideias incríveis que precisam ser descobertas.
Luiz Otavio Rodrigues Mendes
1.Conte um pouco sobre sua formação, trajetória acadêmica e atuação no ensino de Matemática.
Sou professor doutor em Educação Matemática, com trajetória marcada pela docência, pesquisa e formação de professores na Educação Básica e no Ensino Superior. Atuo na universidade pública, desenvolvendo estudos sobre metodologias de ensino, resolução e proposição de problemas, e práticas inclusivas no ensino de Matemática.
2.Quais foram as principais motivações para participar do Desafio de Comunicação Científica e quais desafios ou dificuldades você encontrou ao longo do processo?
Minha principal motivação foi a possibilidade de comunicar ciência de forma acessível, sem perder o rigor teórico, aproximando a pesquisa acadêmica da escola básica. O maior desafio foi sintetizar conceitos complexos em uma linguagem clara, objetiva e atrativa para públicos diversos.
3.Como surgiu a ideia da proposta apresentada e quais objetivos pedagógicos orientaram sua elaboração?
A proposta surgiu de inquietações vivenciadas na formação de professores e no cotidiano escolar, especialmente sobre o engajamento dos estudantes com a Matemática. O objetivo central foi promover aprendizagens significativas, articulando teoria, prática e resolução de problemas contextualizados.
4.Quais aprendizagens desse processo você considera mais significativas para o seu trabalho pedagógico e para a formação de estudantes da Educação Básica?
Destaco o fortalecimento da comunicação científica como prática pedagógica e a ampliação do olhar sobre diferentes formas de ensinar e divulgar Matemática. Essas aprendizagens reforçam a importância de tornar o conhecimento matemático compreensível, crítico e socialmente relevante para os estudantes.
5.O que representa, para você, ser vencedor(a) deste Desafio em um evento de abrangência nacional?
Ser vencedor deste Desafio representa o reconhecimento de um trabalho construído com compromisso acadêmico, social e educacional. Também simboliza a valorização da Educação Matemática e da universidade pública em um espaço de alcance nacional.
6.De que maneira essa experiência pode influenciar seus projetos futuros na área da Educação Matemática, seja no ensino, na pesquisa ou na formação de professores?
Essa experiência reforça minha intenção de investir em projetos que articulem ensino, pesquisa e extensão, especialmente na formação docente e na produção de materiais didáticos inovadores. Pretendo ampliar ações voltadas à comunicação científica e à popularização da Matemática.
7.Gostaria de complementar com mais algum aspecto relevante ou deixar uma mensagem final?
Acredito que comunicar ciência é um ato pedagógico e político, que amplia o acesso ao conhecimento e fortalece a educação. Que iniciativas como este Desafio continuem incentivando professores e pesquisadores a dialogarem com a sociedade de forma crítica e responsável.
Julio Silva de Pontes
1.Conte um pouco sobre sua formação, trajetória acadêmica e atuação no ensino de Matemática.
Professor Adjunto de Ensino de Ciências e Matemática (Colegiado de Matemática) da Universidade do Estado do Amapá, Doutor em Educação Matemática pela PUC-SP (2021), Mestre em Matemática em Rede Nacional (Profmat-2014) pelo IMPA, Especialista em Ensino de Matemática pela UFF(2011), Especialista em Altas Habilidades/Superdotação pelo Instituto Sapiens (2023), Graduado em Matemática pela Universidade do Grande Rio (2007), Cursado 5 períodos de Física (UFRJ) pelo consórcio Cederj (2008). Atuou como docente em matemática pelo estado e prefeitura do Rio de Janeiro, Colégio Flama e Colégio Naval, no atendimento educacional especializado em altas habilidades ou superdotação e na Educação de Jovens e Adultos no município de Angra dos Reis – RJ.
2.Quais foram as principais motivações para participar do Desafio de Comunicação Científica e quais desafios ou dificuldades você encontrou ao longo do processo?
Considerando o objetivo do Desafio, que é incentivar os participantes do Simpósio a planejarem abordagens inovadoras e a produzirem vídeos curtos (entre 3 e 5 minutos) sobre assuntos matemáticos presentes no currículo da Educação Básica, refleti sobre minha prática e trajetória em sala de aula. Pensei em uma atividade que já havia sido aplicada na educação de jovens e adultos, com alunos com altas habilidades ou superdotação, além de licenciandos em Matemática. Todos esses grupos apresentaram ótimos resultados, principalmente no que diz respeito à reflexão crítica gerada sobre o que foi discutido no dia a dia deles. O grande desafio foi elaborar uma situação didática em que a proposta pudesse ser discutida dentro do tempo estipulado. Durante o processo, realizei filmagens, edições e contei com a ajuda de colegas para a gravação.
3.Como surgiu a ideia da proposta apresentada e quais objetivos pedagógicos orientaram sua elaboração?
A ideia surgiu da necessidade de discutir a educação financeira nas escolas, com foco na matemática crítica, e não apenas na aplicação de fórmulas. Essa temática é pouco abordada na BNCC, e muitas vezes os professores precisam tratá-la sem terem recebido uma formação específica em educação financeira, frequentemente limitando-se a explorar apenas cálculos e fórmulas. Assim, o objetivo da proposta é apresentar aos professores uma situação didática que possibilite a exploração inicial da educação financeira, utilizando apenas uma folha de papel A4 para cada aluno.
4.Quais aprendizagens desse processo você considera mais significativas para o seu trabalho pedagógico e para a formação de estudantes da Educação Básica?
As aprendizagens mais significativas desse processo para o meu trabalho pedagógico e para a formação dos estudantes da Educação Básica envolvem o uso de apenas uma folha de papel A4 para construir um livreto em um trabalho colaborativo, além da utilização da dialética nas discussões e reflexões geradas pela situação didática. Esse processo coloca o aluno como protagonista, gerando resultados diversos e enriquecedores. Ao questionar: “Qual é o seu desejo material e imaterial? O que você quer material e imaterial? O que você precisa material e imaterial?”, buscamos uma reflexão sobre o conceito de “desejar”, relacionado à compra por impulso; “querer”, associado ao planejamento para alcançar objetivos; e “precisar”, vinculado a uma situação de emergência, quando não há outras fontes de recursos disponíveis. Nesse último caso, a reflexão sobre o uso de cartões de crédito e o número de parcelas torna-se um tema importante a ser discutido.
5.O que representa, para você, ser vencedor(a) deste Desafio em um evento de abrangência nacional?
Para mim, ser vencedor(a) deste Desafio em um evento de abrangência nacional representa o reconhecimento do meu trabalho, o fortalecimento de parcerias e, principalmente, a satisfação de saber que o que estou realizando está dando certo, especialmente considerando que o trabalho do professor é, muitas vezes, pouco reconhecido.
6.De que maneira essa experiência pode influenciar seus projetos futuros na área da Educação Matemática, seja no ensino, na pesquisa ou na formação de professores?
Na verdade, meu orientador no doutorado é da área de educação financeira e, anteriormente, já havia realizado uma formação com ele, o que me forneceu a base necessária para a criação da proposta da situação didática do desafio. Atualmente, como professor do ensino superior, estou ministrando a disciplina de educação financeira e espero contribuir para a formação dos futuros professores de Matemática, transmitindo a mesma formação que recebi de meu orientador, que foi, inclusive, o inspirador da proposta. Além disso, pretendo expandir essa temática para projetos de extensão e formação de professores, com o objetivo de disseminar a educação financeira para um número maior de pessoas e alunos.
7.Gostaria de complementar com mais algum aspecto relevante ou deixar uma mensagem final?
Gostaria de agradecer a todos os organizadores e participantes deste desafio, além de sugerir que a iniciativa seja continuada em outros eventos, com a divisão em categorias, como professores dos anos iniciais, finais, ensino médio e superior.
A Associação Nacional dos Professores que Ensinam Matemática (ANPMAT) participou do Ciclo de Debates sobre as Diretrizes Curriculares das Licenciaturas em Matemática, promovido pelo Comitê Nacional Gestor do Compromisso Nacional Toda Matemática (COMAT). Os encontros foram realizados entre os dias 27 de janeiro e 10 de fevereiro e reuniram pesquisadores, formadores de professores e representantes de diferentes instituições para discutir caminhos para o fortalecimento da formação inicial de professores de Matemática no país.
A iniciativa, conduzida no âmbito da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (SEB/MEC), teve como objetivo reunir diferentes perspectivas e experiências sobre a formação de professores que ensinam Matemática. Ao longo dos encontros, foram apresentados estudos e análises sobre o cenário atual das licenciaturas em Matemática no Brasil, buscando mapear desafios, identificar potencialidades e construir recomendações que possam subsidiar a elaboração de um documento técnico a ser encaminhado ao Conselho Nacional de Educação (CNE).
As discussões tiveram como base pesquisas e sistematizações preparadas especialmente para o ciclo de debates, contribuindo para qualificar o diálogo entre especialistas, gestores e representantes de entidades acadêmicas e profissionais da área. A partir dessas contribuições, espera-se avançar na construção de diretrizes que fortaleçam a formação inicial e ampliem a qualidade dos cursos de licenciatura em Matemática.
A participação da ANPMAT nesse processo reforça o compromisso da entidade com as políticas públicas voltadas à valorização do professor que ensina Matemática e com o aprimoramento das políticas de formação docente no Brasil.
A associação também destaca a importância da iniciativa conduzida pela SEB/MEC e pelo COMAT, reconhecendo o ciclo de debates como um espaço potente de escuta, reflexão e construção coletiva, fundamental para o avanço das políticas educacionais voltadas ao ensino de Matemática no país. Ao reunir diferentes vozes e experiências, o processo contribui para fortalecer o diálogo entre a educação básica, as universidades e as entidades da área, elemento essencial para pensar caminhos consistentes para a formação de futuros professores.
A ANPMAT parabeniza a Secretaria de Educação Básica do MEC e o Comitê Nacional Gestor do Compromisso Nacional Toda Matemática pela realização do ciclo de debates e pela condução de um trabalho que evidencia o compromisso com o desenvolvimento de políticas estruturantes para a educação matemática no Brasil.