ANPMat realiza simpósio histórico com MEC e projeta novos rumos para a formação do professor de Matemática

De volta a Brasília, após dez anos, o encontro reuniu docentes, pesquisadores e gestores para debater políticas públicas e enfatizar a formação do docente de Ciências Matemáticas, funcionando como um espaço de diálogo entre governo, universidades e as escolas

A ANPMat realizou, em parceria com MEC e a UnB, o 8º Simpósio Nacional da Formação do Professor de Matemática, no fim de setembro | Foto: Divulgação/MEC

De 25 a 28 de setembro, a Associação Nacional dos Professores de Matemática na Educação Básica (ANPMat) realizou, em parceria com a Universidade de Brasília (UnB) e co-realização inédita com o Ministério da Educação (MEC), o 8º Simpósio Nacional da Formação do Professor de Matemática, que reuniu professores da educação básica, pesquisadores, gestores e estudantes para debater propostas e possibilidades de melhorias na qualidade do ensino, além de contribuir para a formação de estudantes e profissionais ligados à Matemática.

O encontro contou com o apoio de instituições como Itaú Social, Movimento Profissão Docente, Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), Instituto Federal de Brasília (IFB), Sociedade Brasileira de Educação Matemática (SBEM) e Olimpíada de Professores de Matemática do Ensino Médio (OPMbr). Criada em 2013, a série de simpósios da ANPMat percorreu diferentes regiões do Brasil, consolidando-se como ambiente de troca de experiências e fortalecimento profissional. 

Brasília, sede das duas primeiras edições dos simpósios, voltou a receber o encontro dez anos depois, reforçando a simbologia de um retorno às origens em um momento de renovação de parcerias e ampliação de perspectivas para o futuro do ensino de Matemática.

Ao longo de quatro dias, os participantes debateram temas centrais como currículo inclusivo, equidade racial, neurociência aplicada à aprendizagem Matemática, inovação pedagógica, além da valorização da experiência docente. 

Durante o evento, o Simpósio se apoiou em 17 eixos temáticos, entre palestras, mesas-redondas, minicursos, oficinas e sessões de comunicação oral e de pôsteres.

Segundo a Presidente da ANPMat, Sumaia Almeida Ramos, o evento reafirmou a importância de colocar o professor no centro das discussões sobre qualidade do ensino. “Há dentro desse compromisso uma preocupação sobre os conhecimentos que o professor que ensina Matemática precisa ter, como levar esse conhecimento, como estimular espaços formativos. Isso demonstrou uma preocupação não só do MEC, mas de todas as instituições presentes, porque se preocupar com a formação do professor de Matemática é também se preocupar com o ensino da Matemática no Brasil”, afirmou a professora, que fez parte da Comissão Organizadora do congresso.

Sumaia Almeida Ramos, Presidente da ANPMat, defendeu o Simpósio como um ambiente que recoloca o professor no centro das discussões sobre qualidade do ensino | Foto: Divulgação/MEC

Para Marcelo Viana, diretor-geral do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e um dos idealizadores da primeira edição do Simpósio, o encontro de Brasília marcou um ponto de virada. “Como uma das pessoas que concebeu e organizou o 1º Simpósio, no qual foi criada a ANPMat, é uma enorme satisfação ver todo o caminho percorrido nesses 12 anos. A ANPMat já se tornou a entidade representativa dos professores de Matemática e a parceria do MEC na organização do Simpósio é emblemática desse fato”, afirmou o pesquisador.

Pré-simpósio no MEC e anúncio de política nacional

Antes da abertura oficial do evento, a programação já havia começado em um espaço estratégico: o auditório do MEC, na Esplanada dos Ministérios. Ali, a Diretoria da ANPMat participou, ao lado de representantes da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e gestores estaduais e municipais, de um encontro técnico que apresentou ao público o Compromisso Nacional Toda Matemática.

A diretoria da ANPMat marçou presença em encontro técnico no MEC para apresentação do Compromisso Nacional Toda Matemática | Foto: Divulgação/MEC

Também estavam presentes professores de Matemática na rede básica de ensino e de cursos de formação inicial e continuada de diferentes regiões do Brasil, além de representantes do Impa, da UnB, da SBM e da SBEM. Quem iniciou a exposição do Compromisso Nacional Toda Matemática foi o professor Alexsandro do Nascimento Santos, Diretor de Políticas e Diretrizes da Educação Integral Básica da Secretaria de Educação Básica (SEB) do MEC.

Alexsandro do Nascimento Santos, Diretor de Políticas e Diretrizes da Educação Integral Básica da Secretaria de Educação Básica (SEB) do MEC, iniciou a apresentação do Compromisso Nacional Toda Matemática | Foto: Divulgação/MEC

O anúncio da iniciativa foi considerado por especialistas como um marco para a política educacional do país. “O decreto do Toda Matemática representa um compromisso inédito e ousado do governo federal com a qualidade do ensino da Matemática em todo o Brasil. Por meio dele, o MEC passa a coordenar ações com estados e municípios, promovendo a formação de professores, disponibilizando material pedagógico e ferramentas didáticas para a melhoria do ensino de Matemática, visando também reduzir as desigualdades regionais”, explicou Viana.

Abertura histórica para a ANPMat

O segundo dia marcou o início oficial do Simpósio. Para a ANPMat, foi um marco: pela primeira vez, a mesa de abertura reuniu lado a lado MEC, Undime, Consed, Impa, Itaú Social, UnB, SBM e SBEM, sinalizando a construção de um diálogo inédito entre instituições de diferentes áreas da educação.

Essa aproximação fortaleceu as expectativas de um acordo de reciprocidade entre ANPMat e as Sociedades, ampliando a articulação para que o conhecimento produzido na academia chegue de forma mais concreta aos professores da educação básica.

No Simpósio organizado pelo ANPMat, Marcelo Viana explicou como a Matemática de fronteira pode inspirar e fortalecer a prática em sala de aula | Foto: Divulgação/MEC

O professor Marcelo Viana atraiu os holofotes novamente em sua conferência, quando abordou a importância de aproximar a produção científica de alto nível da formação docente, mostrando como a Matemática de fronteira pode inspirar e fortalecer a prática em sala de aula. Para os participantes, ouvir uma das principais vozes da pesquisa Matemática no Brasil reforçou a dimensão de que investir no professor é também investir na ciência e no futuro do país.

O dia 25 foi marcado por discussões que apontaram temas urgentes e transformadores. O educador português José Pacheco, fundador da Escola da Ponte, trouxe um olhar humanizado sobre a educação, defendendo práticas centradas no estudante e na autonomia da aprendizagem. Além disso, houve uma mesa sobre educação antirracista em Matemática, promovida em parceria com o Itaú Social e SBM, a qual abriu reflexões sobre equidade racial e justiça social na sala de aula. 

Mesa da OPMbr trouxe relatos de medalhistas que viajaram a Xangai para conhecer o sistema de ensino em Matemática chinês | Foto: Divulgação/MEC

Logo depois, o MEC apresentou dados da escuta nacional com professores de Matemática, pesquisa que ajudou a fundamentar a formulação do Compromisso Toda Matemática. Outro destaque foi a mesa da OPMbr, que trouxe relatos de medalhistas e a experiência inédita de imersão em Xangai, na China, mostrando como vivências internacionais podem inspirar práticas no Brasil.

Livro didático, a inclusão e experiências globais

A sexta-feira, dia 26, foi marcada por uma mesa que contou com a participação do Instituto Sidarta, na presença de sua presidente Ya Jen Chang, o professor Antônio José Lopes (popularmente conhecido por ‘Antônio Bigode’), autor de livros didáticos de Matemática para educação básica,  Raphaella Rosinha Cantarino, Coordenadora-Geral de Materiais Didáticos do MEC, e Leonardo Barichello, professor do Instituto de Matemática e Estatística da USP (IME-USP).

Mesa-redonda sobre o PNLD reuniu Antônio José Lopes (‘Antônio Bigode’), Raphaella Rosinha Cantarino, Ya Jen Chang e Leonardo Barichello | Foto: Divulgação/MEC

Essa composição teve como objetivo discutir o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), identificando como se configurou, em interação com outras políticas públicas, na forma como se apresenta atualmente, quais seus méritos e fragilidades, identificar demandas e apontar oportunidades para o programa se fortalecer dentro dos seus objetivos. A mesa foi composta por especialistas com trajetórias que se cruzam com a iniciativa de diferentes maneiras, permitindo uma visão diversa e ainda assim aprofundada sobre o tema.

Na sequência, a professora Luísa Doering, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), emocionou o público ao apresentar sua trajetória e o projeto dos tijolos táteis — recursos pedagógicos que permitem a estudantes cegos ou com baixa visão compreenderem operações e equações. A experiência pessoal da pesquisadora deu ainda mais força ao tema da inclusão.

Luísa Doering, da UFRGS, apresentou, em sua palestra, recursos pedagógicos que permitem a estudantes cegos ou com baixa visão compreenderem operações e equações | Foto: Divulgação/MEC

Na programação, também foi reservado espaço adequado para uma visita técnica ao MEC. Entre os participantes, esteve também uma delegação do Ceará. O grupo de 22 professores medalhistas da primeira Olimpíada Cearense para Professores de Matemática da Rede Pública Estadual (OPMAT) recebeu como premiação a viagem a Brasília, com hospedagem e alimentação custeadas pela Secretaria de Educação Estadual.

A professora Gisele Oliveira Pereira, da Universidade Estadual do Ceará (UECE), que acompanhou o grupo, destacou a importância dessa experiência. “Todos que foram ficaram extremamente maravilhados no lançamento do programa Toda Matemática. Foi muito significativo estar ali, conhecer as dependências do MEC, assistir às mesas, visitar o túnel histórico. Essa foi uma das experiências mais marcantes que nós tivemos”, relatou ela, que acompanhou o grupo de professores na função de técnica educacional na Secretaria de Educação do Estado do Ceará (Seduc).

Gisele Oliveira Pereira, da UECE, acompanhou grupo de professores medalhistas em olimpíada cearense no Simpósio Nacional da Formação do Professor de Matemática, em Brasília | Foto: Arquivo Pessoal

Formação docente e experiências práticas

O sábado, dia 27, começou com a primeira sessão de comunicações orais, espaço dedicado à apresentação de pesquisas acadêmicas desenvolvidas por professores, estudantes e pesquisadores da área de Educação Matemática.

A programação do Simpósio contou com várias atividades, entre elas exposições de trabalhos científicos por meio de pôsteres | Foto: Divulgação/MEC

Essas atividades marcaram a diferença em relação ao domingo, reservado para os relatos de experiência — sessões mais voltadas à prática docente na educação básica. Ainda pela manhã, o público acompanhou a mesa-redonda “Mentalidades Matemáticas e a Formação Docente para uma Matemática Inclusiva”, que discutiu abordagens de ensino centradas na colaboração, na confiança e no potencial de cada estudante para aprender Matemática.

Mesa-redonda ‘Mentalidades Matemáticas e a Formação Docente para uma Matemática Inclusiva’ também foi uma das atrações no evento | Foto: Divulgação/MEC

Após o intervalo para o almoço, a programação seguiu com uma intensa agenda de minicursos e oficinas, que tomaram toda a parte da tarde e proporcionaram momentos de experimentação prática, troca de saberes e aprofundamento de metodologias voltadas à sala de aula.

O evento também contou com lançamentos importantes, como o da revista Pé na Aula, feita por e para professores da educação básica.

Impacto e próximos passos

O último dia do Simpósio (28) foi dedicado a dar voz aos professores da educação básica em sessões de relatos de experiências, que trouxeram exemplos concretos de práticas pedagógicas em diferentes regiões do país. A programação também contou com apresentações culturais, como o coral da UnB, que emocionou os participantes com a apresentação de clássicos do cancioneiro popular antes da palestra de encerramento.

O último dia do Simpósio reservou Desafio de Comunicação Científica que premiou 10 produções de todo o Brasil na área de Matemática | Foto: Divulgação/MEC

Durante a cerimônia de encerramento, foram anunciados os premiados do Desafio de Comunicação Científica – Matemática da Educação Básica, coordenado pelo professor Mateus Gianni Fonseca, do Instituto Federal de Brasília (IFB). A iniciativa mobilizou professores de todo o país em produções criativas e inovadoras sobre o ensino da Matemática.

Entre as propostas recebidas, 15 vídeos chegaram à etapa final, revelando a diversidade de abordagens e linguagens na divulgação científica e no ensino da disciplina. Dez produções foram premiadas com experiências formativas oferecidas pelo MEC, incluindo visita ao IMPA Tech e outras ações de fortalecimento da prática docente. O desafio reforçou o compromisso do Simpósio em valorizar a criatividade docente e incentivar práticas pedagógicas diferenciadas em sala de aula.

Ricardo Ramos Fragelli, professor da UnB, abordou palestra sobre diferentes aspectos da educação com ênfase em estratégias pedagógicas e a busca de um olhar mais atento para questões diversas em sala de aula | Foto: Divulgação/MEC

O domingo foi encerrado de forma inspiradora pelo professor Ricardo Ramos Fragelli, da UnB, com a palestra ‘Qual é o seu dinossauro?’. Foi um bate-papo interativo que abordou diferentes aspectos da educação com ênfase em estratégias pedagógicas baseadas em aprendizagem ativa e colaborativa e a busca de um olhar mais atento para questões como aprendizagem, engajamento, colaboração, criatividade, ansiedade, empatia e solidão.

“O simpósio fortaleceu parcerias, reafirmou o diálogo com o MEC e abriu novas perspectivas para que o professor de Matemática seja protagonista nas transformações necessárias. Se preocupar com a formação do professor é se preocupar com o ensino de Matemática e, consequentemente, com o futuro do país”, concluiu Sumaia Ramos.

A ANPMat já tem definidas as diretrizes para a próxima edição: o 9º Simpósio será realizado entre 19 e 22 de novembro de 2026, na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), marcando a primeira vez que o evento nacional ocorrerá no Nordeste.

Experiência em Brasília foi aprovada pela organização e o público e 9ª edição do Simpósio está programada para novembro de 2026, na UFMA | Foto: Divulgação/MEC

Como se pode notar, o encontro em Brasília deixou evidente que o fortalecimento da formação de professores de Matemática depende da construção de pontes entre governo, universidades, entidades científicas e, sobretudo, a escola básica. Ao reunir diferentes vozes em torno de um mesmo compromisso, o simpósio reafirmou que o futuro da educação Matemática no Brasil passa pela valorização do professor como agente de transformação social e pelo investimento contínuo em espaços de diálogo e inovação.

ANPMat reafirma compromisso com a educação básica e fortalece parcerias no XV Encontro Nacional de Educação Matemática, em Manaus

A Associação integrou a conferência de encerramento do evento ao lado da SBEM e da SBM, com foco na construção de ações conjuntas em prol do ensino de Matemática no país

A ANPMat foi representada pela Presidente do Conselho Diretor, Marcela Vilela de Souza (Foto: Reprodução)

Entre os dias 28 de julho e 1º de agosto, a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), em Manaus, sediou o XV Encontro Nacional de Educação Matemática (ENEM) – evento organizado pela Sociedade Brasileira de Educação Matemática (SBEM). Consolidando laços importantes com lideranças científicas e outras entidades matemáticas brasileiras, a Associação Nacional dos Professores de Matemática (ANPMat) marcou presença em uma das conferências voltadas ao fortalecimento de parcerias comprometidas com a Matemática na educação básica. 

Realizado a cada três anos, o Encontro Nacional de Educação Matemática (ENEM) é o principal evento da área no Brasil, reunindo professores da educação básica, licenciandos, pedagogos, pós-graduandos e pesquisadores em torno de debates sobre práticas, metodologias e pesquisas em Educação Matemática. Criado em 1987, o Encontro está historicamente ligado à fundação da Sociedade Brasileira de Educação Matemática (SBEM), em 1988. Desde então, o evento vem sendo realizado regularmente, consolidando-se como um espaço fundamental para a troca de saberes, fortalecimento e a articulação da área em nível nacional. 

Representando a ANPMat, Marcela Luciano Vilela de Souza, professora da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e Presidente do Conselho Diretor da Associação, foi uma das integrantes da conferência de encerramento do ENEM – focada na discussão de ações conjuntas entre a ANPMat, a SBEM e a Sociedade Brasileira de Matemática (SBM). Intitulada: Convergências entre ANPMat, SBM e SBEM na construção de parcerias e práticas comprometidas com a educação básica, a mesa foi composta também por Jaqueline Mesquita, Presidente da SBM, e Claudia Lisete Groenwald, Diretora Nacional da SBEM no triênio 2022-2025. 

Da esquerda para a direita: Claudia Groenwald (SBEM), Jaqueline Mesquita (SBM) e Marcela Vilela de Souza (ANPMat) (Foto: Reprodução)

Segundo Marcela, além da honra em representar a ANPMat no evento, a ocasião protagonizou um marco importante: pela primeira vez, uma conferência sobre essa temática reunindo as três entidades esteve na programação do ENEM. “Foi muito importante para continuarmos essas discussões e essa ideia de podermos atuar em parceria. Atuar assim [em parceria] é muito mais positivo, muito melhor, pensando em termos nacionais. Todo mundo ganha com isso. Pensar em ações, em projetos juntos, atuar em todas as esferas e tentar cada vez mais fortalecer o diálogo entre universidade e escola básica”, afirma. 

A importância das ações conjuntas na história da ANPMat 

O fortalecimento de ações conjuntas entre sociedades e associações científicas e educacionais evidencia, historicamente, a relevância das parcerias institucionais para o crescimento integrado da ciência e da educação no país. Um exemplo representativo do sucesso dessa união é a própria ANPMat, que surgiu como uma vertente da SBM, com foco especial nas questões relacionadas à Educação Básica.

Embora tenha sido criada em 2013, aprovada por aclamação a Moção apresentada em assembleia durante o I Simpósio Nacional da Formação do Professor de Matemática, a Associação passou a atuar de forma autônoma apenas em 2017.  O marco dessa mudança foi a Assembleia de sua Constituição, realizada no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), elegendo a Diretoria e o Conselho Diretor pró-tempores. 

Outro passo importante em direção à independência da ANPMat foi a implementação de seu sistema de associados, em 2019. A partir daí, foi realizada a primeira eleição para seus órgãos dirigentes, em 2020. Desde então, a Associação vem se consolidando como entidade autônoma, com eleições regulares e estrutura própria.

Durante o evento também ocorreu a posse da nova Diretoria Nacional Executiva (DNE) da SBEM para o triênio 2025-2028. Em paralelo, e com o apoio do Prof. Victor Giraldo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi realizada uma reunião para discutir possíveis parcerias e apoios a projetos futuros em colaboração entre as três entidades em prol da melhoria da Educação Matemática no Brasil. A reunião foi composta pelos membros da nova Diretoria Nacional da SBEM Sandra Magina (presidente), João Alberto da Silva (diretor), Edvonete Alencar (diretora) e José Walber Ferreira (diretor), além das representantes da ANPMat, Marcela Vilela de Souza,  e da SBM, Jaqueline Mesquita.

Antes da conferência, os representantes das entidades realizaram também uma reunião de alinhamento para ações futuras (Foto: Reprodução)

“Como a ANPMat é nova, esses encontros e essas parcerias são muito importantes para o  crescimento da Associação. Precisamos desse apoio. É muito importante pra gente poder amadurecer, crescer – e nada melhor do que crescermos  juntos, com a experiência, com a união e com o apoio de todas essas Sociedades”, relata Marcela, que foi a primeira Presidente eleita da ANPMat, atuando nos biênios 2021-2022 e 2023-2024. 

O foco na educação básica 

Entre as pautas discutidas na conferência entre ANPMat, SBM e SBEM, um dos destaques trazidos por Marcela em sua experiência, foi o debate sobre a valorização do docente da educação básica. “Tivemos um bate-papo sobre a formação de professores. Isso foi muito importante, porque é necessário essas três sociedades estarem alinhadas, ou tentarem se alinhar o máximo possível nesse aspecto. Essa caminhada, com parcerias e apoios, se torna mais fortalecida”, destaca. 

Desde a sua fundação, a ANPMAT mantém a formação e a valorização profissional do professor de Matemática como a pedra de toque de seus objetivos. Assim como o apoio a projetos relacionados ao Ensino de Matemática na Educação Básica e o debate de questões relevantes à classe profissional. “A ANPMat prioriza, nos simpósios, eventos, debates, ações e projetos, fortalecer esse diálogo entre universidade e escola básica. Tem que ter essa conversa, esse apoio, para podermos atuar em projetos e colaborar com o ensino de Matemática na Educação Básica. É uma via de mão-dupla”, afirma.  

Marcela foi a primeira Presidente eleita da ANPMat, atuando nos biênios 2021-2022 e 2023-2024 (Foto: Reprodução)

Segundo Marcela, o encontro foi extremamente positivo, sobretudo por favorecer a troca de ideias, o estabelecimento de parcerias e a identificação de convergências entre as entidades envolvidas. “Tudo isso é pensado em prol da educação no Brasil, que tem sua base na educação básica – é ali que está o nosso legado. Precisamos dessas parcerias para atuar de forma conjunta, compreender os desafios e buscar, coletivamente, caminhos para melhorias”, conclui.

Ensino de Matemática em pauta: Brasília recebe o 8º Simpósio Nacional da Formação do Professor de Matemática 

Com inscrições abertas e submissão de trabalhos prorrogada até 25 de junho, o 8º Simpósio Nacional da Formação do Professor de Matemática acontece em Brasília entre os dias 25 e 28 de setembro. Promovido pela Associação Nacional dos Professores de Matemática na Educação Básica (ANPMat), em parceria com o Ministério da Educação (MEC) e a Universidade de Brasília (UnB), o evento tem como objetivo valorizar e fortalecer a formação dos professores de matemática do Brasil.

“É um retorno simbólico”, afirma a professora Sumaia Ramos, atual presidente da entidade. “Em 2024, durante a abertura do Simpósio, o diretor de Políticas e Diretrizes da Educação Integral Básica do MEC, Alexsandro do Nascimento Santos, manifestou o desejo de que o evento fosse realizado em Brasília este ano. Consideramos o pedido extremamente positivo, pois reforça a relevância da nossa instituição”.

Para a presidente da ANPMat, o retorno a Brasília em 2025 é uma oportunidade de reunir professores e pesquisadores no local onde as decisões políticas ocorrem, já que, justamente neste ano, o Ministério da Educação (MEC) tem intensificado a formulação de diretrizes voltadas ao fortalecimento do ensino de matemática na educação básica.
“Essas políticas e discussões propostas pelo MEC também estarão em pauta no Simpósio, que será um espaço não apenas para ouvir o Ministério, mas também para que sejamos ouvidos enquanto professores da educação básica”, conclui.

Assim como nos encontros anteriores, o tema do Simpósio deste ano foi pensado a partir das sugestões dos próprios participantes. “Entendemos que quem está em sala de aula é quem melhor conhece as urgências da prática docente. Por isso, o tema do simpósio nasce coletivamente”, explica Sumaia. 

Em 2025, as atividades se voltam a temas como currículo, inclusão, neurociência, tecnologias aplicadas à educação e educação matemática antirracista.

Pela terceira vez, a cidade de Brasília será palco do Simpósio Nacional da Formação do Professor de Matemática | Imagem: Envato 

Formação, equidade e inclusão em debate

Entre os destaques da 8ª edição, estão as palestras já confirmadas do professor Marcelo Viana, do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), do educador português José Pacheco, que é uma referência mundial em inovação, e do professor Ricardo Ramos Fragelli (UnB), que já ganhou prêmios por conceber uma metodologia baseada em aprendizagem ativa e colaborativa por meio de talk shows.  Oficinas e minicursos também abordarão temas como inteligência artificial (IA), uso de impressoras 3D no ensino, prática de ensino de matemática a estudantes com baixa visão ou cegueira, entre outras.  Um dos destaques é uma oficina inédita sobre metodologias inovadoras, fruto da experiência de um grupo de professores premiado pela Olimpíada Brasileira dos Professores de Matemática (OPMBr). 

“Eles participaram de uma imersão em Xangai, na China, onde tiveram a oportunidade de conhecer de perto o sistema de ensino de matemática local. A partir dessa vivência, desenvolveram uma proposta metodológica que será compartilhada com o público do Simpósio”, diz Sumaia.

Marcelo Viana, José Pacheco e Ricardo Fragueli são os palestrantes já confirmados para a 8º edição do Simpósio da ANPMat  | Imagem: Reprodução

Inscrições e chamada para trabalhos

As inscrições para o 8º Simpósio Nacional da Formação do Professor de Matemática seguem abertas até o dia 22 de setembro, podendo ser realizadas no site oficial. Os valores variam conforme a categoria e o lote, partindo de R$50 para estudantes de graduação e de R$200 para pesquisadores.   Associados à ANPMat têm 25% de desconto.

Além disso, interessados em submeter trabalhos devem se apressar pois o prazo vai até dia 25 de junho. Podem ser enviadas propostas nos formatos de comunicação oral, pôster ou relato de experiência, devendo estar vinculadas a um dos 17 eixos temáticos, que abrangem desde o ensino de matemática nos anos iniciais até abordagens voltadas à etnomatemática, educação indígena e quilombola, educação de jovens e adultos, entre outros.

Todas as submissões passam por avaliação por pares. Quando necessário, os autores recebem parecer técnico com orientações para ajustes, antes da aceitação final. “Nosso objetivo é ajudar os professores a aprimorarem suas práticas e compartilharem experiências de forma qualificada”, destaca Sumaia Ramos.

No site do evento, os participantes também encontram orientações completas do Simpósio, com sugestões de hospedagens com desconto e informações sobre transporte na cidade. Basta acessar a aba “Hospedagem” para conferir os detalhes.

O 8º Simpósio Nacional da Formação do Professor de Matemática conta com o apoio do IMPA, da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), do programa Formação Docente e da Fundação Itaú Social.

Mais informações

Data: 25 a 28 de setembro de 2025
Local: Universidade de Brasília (UnB)

Submissão de trabalhos: até 25 de junho
Inscrições e informações: Site oficial do evento

Para se associar à ANPMat, acesse: associados.anpmat.org.br/register